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Arquivo de 'entrevista'



Irmão de Ben Affleck fala sobre Ana de Armas em entrevista
postado por Ana de Armas Brasil

O irmão de Ben Affleck comentou sobre o termino do casal em uma recente entrevista. Confira:

“A realidade é que eu acho que este ano foi muito difícil para as pessoas que estavam em um relacionamento”, disse o ator ao Entertainment Tonight. “Eu não entendo porque estou solteiro, mas aposto que para muitas pessoas, você sabe, tem sido um desafio para os relacionamentos.”

Ele continuou: “Acho que Ana é a pessoa mais doce, engraçada, inteligente e charmosa. Acho que ela não terá problemas para conhecer outra pessoa.”

“Eu vi sua atuação como Marilyn Monroe neste filme chamado Blonde, que ainda não foi lançado, e eu apostaria muito que ela vai ganhar todos os prêmios. Ela vai ter um bom ano. Não estou muito preocupado com ela.”

Ele acrescentou: “Acho que ela é cativante em todos os sentidos. E estarei lá para cuidar de Ben, mas não acho que ele terá problemas [também]. Meu conselho para eles seria tipo, ‘Sim, pense muito sobre isso, porque a quarentena não é divertida se você está solteiro.'”

Quanto a saber se foi ele quem jogou fora a foto de papelão em tamanho real da atriz da casa de seu irmão, ele disse: “Não, não sou eu.”

“Um monte de gente mandou aquela foto para mim e eu ia tweetar alguma, tipo, piada, resposta ou algo assim. E então eu não consegui pensar em uma e uma piada não parecia apropriada. E eu não tenho Twitter, então não ia funcionar. Mas definitivamente não era eu”.

Fonte | Tradução – Ana de Armas Brasil

Ana de Armas é capa da The Sunday Times Style
postado por Ana de Armas Brasil

A história de Ana de Armas parece o tipo de conto de fadas de Hollywood que a indústria não faz mais. Afinal, a ascensão da atriz de 32 anos envolve uma infância passada em Cuba, longe das armadilhas de Tinseltown ou de qualquer tipo de capitalismo; umafuga para a Espanha com apenas €300 no bolso; uma segunda fuga para Los Angeles, onde falava tão pouco inglês que teve que aprender suas falas no primeiro filme foneticamente; e, finalmente, uma mudança para as grandes ligas, com papéis principais em Blade Runner: 2049 e no thriller cômico Knives Out.

Na verdade, quando você considera que ela será vista interpretando Marilyn Monroe e uma Bond girl este ano, é difícil imaginar como ela poderia chegar a Hollywood com mais força, a menos que ela tivesse acompado ao lado da lendária placa de Mount Lee.

“Eu não sei”, ela dá de ombros via Zoom de sua casa em LA. “Sempre senti essa coisa de estar no lugar certo na hora certa com as pessoas certas, essa tem sido minha vida.” Ela está sentada em uma espécie de armário de vassouras onde os servidores do computador são claramente mantidos; os únicos sinais de glamour estão nela, em seu cardigã lavanda Acne, calças com estampa azul e vermelha e muitas joias discretas nos dedos, orelhas e pescoço.

Além disso, um cachorrinho fofo, Elvis, que sempre quer entrar e sair. “Sinto que ser corajoso, somado a isso, me faz pensar que tenho sorte. Portanto, toda vez que tenho esse instinto, que meu instinto está me dizendo para entrar em um avião, vou com ele – porque sinto que o resultado disso será bom!”

Isso é obviamente um eufemismo. Se você já viu Knives Out, saberá que ela sempre rouba a cena. Em um filme co-estrelado por Daniel Craig, Chris Evans e Jamie Lee Curtis, é De Armas quem, para sua surpresa, acaba sendo o protagonista. Curtis também ficou surpresa e ficou tão encantada com sua co-star que ela enviou e-mails para Steven Spielberg para ficar de olho nessa novidade. Ele disse obrigado, ele já sabia.

“Não acho que Spielberg foi o único – ela enviou alguns e-mails para outras pessoas”, De Armas está sorrindo agora. “E todos estavam tipo,‘Sim, Jamie…’”

Há muito passado e futuro para discutir, mas estamos aqui ostensivamente para falar sobre seu novo papel como o rosto do Natural Diamond Council, que impressiona por uma mineração mais ética de diamantes. Mais recentemente, isso significou liderar uma campanha em sua plataforma Only Natural Diamonds; o site destaca recursos, informações e designers que trabalham com diamantes naturais.

De Armas está interessado em discutir o quão importante é o trabalho do NDC: “O que eu realmente gostei neles é que eles sempre foram sobre total transparência e comunicação, e eles têm me ajudado a me educar. Fiquei impressionado com a evolução do setor nos últimos 20 anos. É bom não apenas comprar algo bom e bonito, mas também quando parece que essas empresas estão retribuindo à comunidade. As pessoas querem prestação de contas e saber que tudo está sendo feito de maneira ética, e você se sente bem quando compra, seja qual for o produto. Estou feliz que a indústria de diamantes esteja indo nessa direção.”

Ela está usando vários diamantes éticos, coisinhas delicadas, principalmente “presentes”, ela sorri. Presentes, eu pergunto. “Presentes,” ela diz calmamente. Naturalmente, sinto-me compelida a perguntar se há algum diamante específico que ela gostaria em um dedo específico. Ela me olha divertidamente, depois mostra as mãos, abertas, para a câmera. “Você vê? Nada.” Chegaremos a Affleck mais tarde, então. Em vez disso, ela prefere se lembrar da primeira vez que comprou diamantes para si mesma – uma pequena pulseira. “Para mim foi um grande negócio vir de Cuba sem poder comprar nada muito caro. Foi um momento.”

Os diamantes, é claro, não eram uma opção quando De Armas estava crescendo entre Havana e a cidade litorânea de Santa Cruz del Norte, filha de um pai que trabalhava como professor e uma mãe que trabalha com recursos humanos. “Tantas outras coisas não são uma opção lá – esqueça os diamantes,” ela diz secamente. “Você nem mesmo pensa sobre isso – simplesmente não está na foto.” De Armas, porém, teve uma vida boa, diz ela, e ainda chama de lar.

“Quando você é criança, você realmente não sabe o que está acontecendo”, diz ela. “E você também não sabe de mais nada, para o bem ou para o mal.” Ela morava bem perto da praia, então ia nadar todos os dias e nunca tinha tempo para ficar entediada. “Eu não mudaria isso por nada”, diz ela. “Eu acho que provavelmente minha imaginação foi ativada, porque eu estava apenas criando jogos, brincando na rua, fingindo com outras crianças… Provavelmente ajudou com quem eu sou hoje e o que eu faço.”

Ela ganhou uma vaga na única escola oficial de teatro do país, a National Theatre School, para a qual ela caminhava obedientemente todos os dias, e filmou dois filmes de sucesso quando adolescente. Ela saiu de Cuba aos 18 anos, indo para a Espanha porque seus avós maternos eram de lá.

Ela poderia ter ficado em casa? “Acho que não. Eu apenas senti que sempre quis mais em tudo na minha vida. Tenho sido muito ambiciosa e curiosa e queria fazer mais.” A mudança para a Espanha foi bastante inocente, diz ela. “Em Cuba você vive em uma bolha. Eu não sabia como o mundo era. Eu nunca tinha viajado antes na minha vida.”

Ela realmente acreditava que €300 seriam suficientes, mas “às vezes não saber muito não permite que você pense demais”, diz ela. “Eu acho – e quero dizer isso da melhor maneira possível – ser ignorante sobre algumas coisas pode ajudá-lo, porque você não tem nenhum medo. Eu apenas fui e fiz. Se eu tivesse que fazer isso agora, sabendo como é e o que eu tive que passar, eu ficaria com medo. Mas estou feliz por ter feito isso. Não pensei nisso duas vezes.”

Provavelmente ajudou o fato de De Armas ter conseguido um papel na enorme série de televisão espanhola El Internado apenas algumas semanas depois de chegar a Madrid. Depois de alguns anos no programa, no entanto, e um casamento de dois anos com o ator e modelo espanhol Marc Clotet, ela voltou a se arriscar – quando voou para LA. Não foi mais assustador? “Era mais ou menos a mesma situação de novo”, diz ela com otimismo. “Acho que fiz duas vezes.” O único pequeno obstáculo era que ela teve que aprender inglês, mas isso não a impediu de ir para os filmes enquanto estava aprendendo. Foi assim que ela acabou no cinema ao lado de nomes como Robert De Niro, Keanu Reeves e Miles Teller, sofrendo por ter aprendido as palavras apenas por seus sons. “No começo, eu não estava entendendo nada”, ela se encolhe. “Mas, você sabe, está ficando melhor!”

Tudo isso nos leva a Blonde, o novo filme biográfico de Marilyn Monroe baseado no romance de Joyce Carol Oates de mesmo nome. Então ela acertou a voz de Marilyn?

“Eu tentei! Levei apenas nove meses de treinamento de dialeto, e prática, e algumas sessões de ADR [regravando o diálogo após a filmagem]”, diz ela com uma careta. “Foi uma grande tortura, tão exaustiva. Meu cérebro estava frito.” E independentemente da voz, interpretar Marilyn também foi muito desgastante. “Eu tinha muitos pensamentos como mulher na indústria, e mesmo em geral, sobre como as coisas dos anos 1930, 1940, 1950 são tão relacionáveis ​​hoje em dia”, diz ela. “E se você não tiver uma base forte, como sua família, é muito difícil sobreviver – muito difícil.”

E depois há Deep Water, baseado no romance de Patricia Highsmith, que é onde ela conheceu Ben Affleck. De Armas ainda chamou a atenção de todos quando seu relacionamento com Affleck se tornou público na primavera. Durante a primeira quarentena, alguns dias se passaram sem fotos de paparazzi do casal caminhando pelas ruas de LA com Elvis. Ela usava roupas lindas, ele usava camisetas em espanhol. “Eu também tenho essas camisetas, só as uso mais em casa, mas o Ben ficou obcecado por elas”, ela sorri. “Cada vez que vamos, ele compra a loja inteira.”

Este é o ano em que o talento de De Armas se tornará popular. Falando sobre seu papel em No Time to Die, ela está entusiasmada com Phoebe Waller-Bridge, que reescreveu o filme (“Eu fiquei vermelha como um tomate quando a conheci!”). Eu me pergunto se os pais dela virão à estreia, presumindo que haja uma. Eu li em algum lugar que eles ainda não foram em uma premiere dela.

“Isso é verdade”, ela concorda. “Não é fácil para eles chegarem aqui por vários motivos… mas não é impossível”, diz ela. “Tenho certeza que isso vai acontecer.” É uma loucura para eles que você acabou uma estrela de cinema? “Oh sim. Isso os impressiona, é demais para eles.” No entanto, ela acrescenta, “às vezes, você sabe, eu ligo para minha mãe e digo, ‘Estou fazendo este filme’, e ela pergunta: ‘Quem está nele?’ E eu fico tipo, ‘Eu!’” Duvidamos que ela terá esse tipo de conversa por muito mais tempo.

Fonte | Tradução – Ana de Armas Brasil

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Ana concede entrevista à Only Natural Diamonds
postado por Ana de Armas Brasil

Conhecida por seu papel de destaque em “Entre Facas e Segredos”, a atriz Ana de Armas é uma superestrela em ascensão em Hollywood. Como nova embaixadora da Only Natural Diamonds, de Armas viajou até Portugal para gravar essa campanha e aprender sobre o mundo dos diamantes naturais de modo geral. Aqui ela fala francamente sobre suas viagens, momentos favoritos, sua crença em um futuro sustentável para a indústria e, naturalmente, seu amor por diamantes.

O que nessa campanha intrigou você? O que fez você aceitar e querer ser o novo rosto da Only Natural Diamonds?
Eu fui conquistada pelo fato de que a NDC defende um conjunto de padrões étnicos e trabalha com grupos locais para assegurar a segurança e o bem estar das comunidades em volta das minas de diamantes. Eu também realmente amei o quanto eles apoiam as mulheres dessas comunidades. Os diamantes naturais são lindíssimos. Eu estou lisonjeada por estar trabalhando com a NDC nessa campanha incrível e por apoia-los em seu ótimo trabalho em todo o mundo.

Quais foram os elementos mais agradáveis em trabalhar nessa campanha? Você tem alguma história divertida ou algum momento em particular e memórias?
Definitivamente, foi diferente trabalhar nessa campanha durante uma pandemia. Ter a oportunidade de viajar (em segurança e com todas as precauções) para uma cidade tão linda foi incrível. As pessoas da costa de Portugal foram muito acolhedoras e gentis e as praias eram como pinturas. Enquanto filmávamos, eu amei o estilo moderno de todos os diamantes, cada peça era muito original e linda.

Como você usa joias de diamante? Você as usa fora de contextos formais? Fale um pouco sobre.
Todos os momentos devem ser valorizados. Usar diamantes me faz sentir mais confiante e linda. Eles me lembram de que há muitas coisas belas no mundo e que eu devo aprecia-las e apreciar e ser grata por tudo o que tenho. Eu não sei quais são as regras mas eu acredito que você pode fazer você mesmo e sua vida serem o mais valorizadas e importantes possível, tem muitas coisas na minha vida que eu amo, amigos, família e a própria vida. E se você tiver a sorte de ter um diamante, seja comprado ou um presente, ele pode te lembrar da beleza natural do mundo e dos presentes da vida.

O que mais te agrada em relação à sustentabilidade no setor dos diamantes?
Trabalhando com a NDC eu aprendi que a indústria dos diamantes faz muitas boas ações, trabalhando em construir comunidades fortes em todo o mundo. Eu fiquei impressionadas com as mulheres envolvidas e comandando a indústria. Os membros da NDC fazem muitas coisas maravilhosas para apoiar e empoderar essas mulheres. Em muitas dessas comunidades, situadas nos lugares mais remotos da terra, a mineração de diamantes é uma das principais fonte de emprego. Os membros da NDC trabalham para priorizar e fortalecer essas comunidades ao ajudar a construir estradas, casas, hospitais e escolas. Eles ajudam a educar as pessoas, proporciona habilidades e profissões. Eles também se certificam de proteger reservas locais, a vida selvagem e pequenos agricultores, que são tão importantes para a cultura e economia.

Durante esse processo, que nova informação você aprendeu sobre diamantes naturais? Teve algo que a surpreendeu? Fale sobre.
Eu aprendi que diamantes podem ser encontrados em todo o mundo, no Canadá, na Austrália, na Sibéria, na Botswana, na África do Sul, na Tanzânia e mais. Eles são um recurso global. Eu também aprendi que diamantes foram formados há bilhões de anos. Cada comunidade de onde esses diamantes vêm é essencial para a indústria e devem ser valorizadas tanto quanto cada lindo diamante.

Fonte | Tradução: Equipe Ana de Armas Brasil

postado por Ana de Armas Brasil

Reinventando a Bond Girl. Ficando Loira como Marilyn Monroe. Como a estrela de Entre Facas e Segredos, Ana de Armas, está conquistando Hollywood.

Existe uma porta que separa celebridades de civis, nos deixando curiosos o suficiente para espiar pelo buraco da fechadura com uma ideia incompleta de fama. Aqui, por exemplo, é a versão do buraco da fechadura de Ana de Armas, a estrela de 31 anos do filme do ano passado, Entre Facas e Segredos: Ela dispara pela sala de jantar de Versalhes, o posto avançado de Culver City no famoso restaurante cubano de Miami, como se estivesse tentando economizar alguns segundos do seu tempo. É o dia antes do Golden Globes e ela acabou de sair de um tratamento facial, o que lembra um mordomo polindo talheres já reluzentes. De Armas foi nominada por seu papel como Marta Cabrera, a bússola moral do filme de mistério Entre Facas e Segredos, e embora ela não ganhe um prêmio, ela ganhará o tapete vermelho em um vestido Ralph & Russo azul marinho com lantejoulas. Enquanto as luzes piscam acima de nós ela sorri e diz “Assim como Cuba.” Oh, mas a luz de De Armas não mostra sinais de escurecimento.

Fim do buraco da fechadura.

“É impossível, não? Capturar uma pessoa inteira, entender a vida de outra pessoa sem contexto. Eu não vejo esse momento e estou no meio dele. Acho que nunca vou conseguir, e quando eu puder, isso já terá mudado.”

Nova, mas firme do outro lado da porta da fama, de Armas está em uma rara posição de abri-la, de ser franca sobre o que significa estar em destaque, de ter sua vida reduzida a um estereótipo, de estar cansada de Los Angeles (quando você ler isso, ela terá sumido). Apenas a alguns anos atrás ela passava sete horas do seu dia sentada em uma sala de aula, aprendendo a falar inglês, o que ela fez em quatro meses. Agora, ela é uma das multitarefas mais eficientes de Hollywood: Ela vai aparecer em Sem Tempo Para Morrer, o 25º filme de James Bond, em um papel concedido a ela por Cary Joji Fukunaga e escrito (a maior parte) por Phoebe Waller-Bridge; ela estrela no suspense erótico que será lançado, Deep Water, com Ben Affleck, dirigido por Adrian Lyne, assim como em Sergio, o drama politico da Netflix; ela voltará a suas raízes (quando Ana era uma criança, ela era loira) para se tornar Marilyn Monroe em Blonde. O fato de seu trabalho anterior ao lado de Ryan Gosling (Blade Runner 2049) e Keanu Reeves (duas vezes, Exposed e Knock Knock) já estar tão longe que sua página no IMDB é bastante surpreendente. Então, como ela chegou aqui?

Feijão, em partes.

“Eu estou tão empolgada com essa comida,” ela diz pegando um pedaço de pão do qual você poderia torcer manteiga, “o que é louco, porque eu acabei de voltar depois de dois meses em Cuba. Isso é meu combustível.”

De Armas tem uma casa em Havana, onde a maioria de seus amigos e familiares ainda vive. Dois minutos em sua companhia evocam imagens fáceis de uma Havana onírica. Ela passou o ano novo em uma “festa no telhado, na parte antiga de Havana, tocando música, dançando e bebendo.” Mas as coisas são mais complicadas do que parecem. Essa festa estava cheia de atores que ela admirava a muito tempo que “disseram o quão orgulhosos estavam e que agora eu era o exemplo para atores cubanos.” Ela chora ao contar. Seus pais nunca puderam comparecer a suas estreias no cinema. Eles assistem seus trabalhos “depois, com uma cópia de qualidade ruim ou algo do tipo.” No que deveria ser uma sátira, alguns conhecidos de Los Angeles chegaram ao ponto de dizer a ela que invejam a sua “desintoxicação digital” quando está em Cuba ou a diversão de “não saber o que você vai comer no café da manhã.” Quando o país for brevemente aberto durante o governo Obama, ela ouviu preocupações de que a Starbucks seria superada – “Os americanos reclamam de algo que existe, mas quando não o têm, também reclamam.” Considere a resposta dela para “O que você está vestindo?” o que deveria ser equivalente a como soletrar seu nome corretamente no SATs para uma celebridade:

“Eu não tenho nenhuma roupa.”

“Como?”

“Vim direto de Havana, então estou usando minhas roupas de avião. Minhas malas ficam cheias de roupas, remédios ou suprimentos – o que as pessoas precisam – e voltam vazias. Minha estilista me deu esse traje Saint Laurent para eu parecer legal. Eu não uso isso na vida real.”

Só para constar, ela tem roupas. Está tudo em Nova Orleans, onde ela está filmando Deep Water. E, para constar, Hollywood “não é a minha vida, é a minha realidade.”

“Eu tenho amigos ótimos e coisas incríveis tem acontecido comigo aqui, mas o estilo de vida e a exposição e as situações de negócios constante não é para mim. Eu gosto de falar sobre a vida e arte e bebês e animais. Atuar é o que eu amo fazer, mas eu não posso falar sobre essas coisas, pelo menos não o tempo todo.” Ou, para citar Marilyn Monroe: “É bom ter caviar mas não quando você tem em todas as refeições.” Feijão talvez. Mas não caviar.

Portanto de Armas está voltando para Havana por enquanto, meia hora de distância da cidade onde ela cresceu. Quando criança, ela não fugia para o centro da cidade porque “é algo preocupante quando não se tem transporte.” Em vez disso, ela e seus amigos entretinham a si mesmos e os vizinhos atuando, dançando e cantando (ela era Baby Spice em uma adorável banda cover amadora das Spice Girls. Mas não entendia a letra de “Wannabe” até ela ouvir no radio alguns anos atrás). Eventualmente, seus pais a matricularam na escola de teatro (“Eu pegava carona todas as manhãs, ficava ao lado do semáforo, onde os carros tem que parar de qualquer maneira, ia até a janela e dizia as pessoas para onde eu precisava ir.”) Mas os filmes americanos não eram um reflexo em seus olhos, principalmente porque ela não podia se ver neles.

“Eu via as casas e os aviões, todo o dinheiro e as pessoas roubando bancos e isso claramente não era real, exatamente como as princesas não eram reais. Foi fantasia. Os atores cubanos eram os que eu olhava, porque essa era a minha realidade: pessoas entrando em um barco ou gritando umas com as outras ou matando um porco.”

De Armas partiu para Madri aos 18 anos, o mais rápido que pôde legalmente, apenas porque deus avós maternos são espanhóis. Lá, as coisas se encaixaram rapidamente. Ela conseguiu um agente através de um filme que havia feito dois anos atrás e depois teve sorte e uma semana depois, um diretor de elenco ligou. De Armas estrelou em El Internado, que foi um grande sucesso, um pouco como Stranger Things. Somente depois que ela sentiu que havia superado isso de forma criativa (ela se sentia “sem inspiração” e ainda estava interpretando uma adolescente) é o porque ela veio para os Estados Unidos. Acho difícil imaginar que Hollywood não fosse onde ela deveria estar, vendo o quão bem ela é levada a isso e a ela. (Como Bobby Finger disse sobre De Armas no podcast semanal da Who?: É engraçado… quando alguém diz: ‘Esta mulher talentosa está prestes a estar em todo lugar’ e então você olha para eles e diz ‘Sim, sem duvidas’). Mas, como de Armas me lembra, contexto é a chave. A dela era uma das poucas famílias cubanas sem ninguém em Miami. A conversa era sempre sobre Espanha.

“As pessoas perguntam ‘Como você fez essa escolha ou aquela?’ Mas sempre teve apenas uma única escolha por vez. Eu nunca vi minha vida de duas formas diferentes, a forma que eu queria que fosse e o plano B. Sempre existiu apenas a forma que eu queria que fosse.”

Dá-se a sensação de que não há muito fora do alcance de Ana. Seu colega de elenco de Entre Facas e Segredos, Jamie Lee Curtis não fazia ideia de quem ela era quando se conheceram. Em uma cena diretamente de Nothing Hill, ela diz que “achava que Ana era esse pedaço de barro não moldado e eu perguntei a ela sobre seus objetivos como se eu estivesse falando com uma estudante universitária, aí eu mandei um e-mail para Steven Spielberg dizendo que o departamento de elenco dele deveria realmente pesquisar sobre essa mulher, como ela não tinha ao menos um agente.” Um ano depois, Curtis, está em uma melhor posição para avaliar a determinação de sua amiga: “Ela é notável. Ela será como Sophia Loren, uma daquelas raras sensações em todo o mundo. Ela tem essa profundidade requintada e é singularmente gentil e insanamente bonita, mas também é uma garota de Cuba, então há tenacidade, perseverança e ferocidade nela.”

Esta profundidade de caracterização estava ausente na descrição inicial da personagem de Ana em Entre Facas e Segredos. Marta se resumia a: “cuidadora latina e bonita” e De Armas quase não aceitou o papel.

Ela ressalta que os atores latinos ainda são frequentemente atacados com palavras como sensualidade e fogo.

“Ou então é ‘sexy com um temperamento’. E é quem nós somos. Não há nada de errado com isso, desde que não se resuma a apenas isso. É com isso que tenho um problema.”

“Você quer dizer que não acorda todas as manhãs, veste uma saia curta e começa a gritar com as pessoas?”

“Oh, bem, sim, faço isso até ficar exausta, então coloco uma cesta de frutas na cabeça e digo ‘Vá se foder’, e então eu dou uma pausa e depois faço de novo.”

Por maus que ela evite os esteriótipos em seu trabalho, ela acha que as vezes, isso foi útil nos bastidores, particularmente em uma pré #MeToo Hollywood. Ela credita seus pais por ensiná-la sobre homens e limites e como falar e se descreve como rápida e capaz de não dar a mínima. E enquanto ela se considera sortuda por ter trabalhado com seres humanos graciosos e adequados, ela admite que “a coisa cubana ajuda.”

“Como assim?”

Ela estreita os olhos, mexe o dedo em sentido de negação e faz um som “tsk-tsk” como se estivesse vendo um cachorro contemplar um mau comportamento.

Quando De Armas chegou a Los Angeles, ela “exigiu” que seus agentes a mandassem para audições, dizendo que ela não havia ido a Hollywood para se formar em inglês. Se já existe uma história associada a De Armas, é a seguinte: ela fez tudo foneticamente. No set de War Dogs; no qual ela interpreta a namorada de Miles Teller, o diretor Todd Phillips “mudou uma linha do diálogo e foi um desastre. No final ele falou tipo ‘Tudo bem, esqueça, apenas diga o que você tinha.’ Não é uma posição legal para se estar como uma atriz. Eu mal conseguia sustentar uma conversa.”

“A primeira vez que eu li a minha fala eu não fazia ideia do que ‘I beg your pardon’ era,” ela lembra, rindo, “Eu pensei que estava realmente com raiva, como ‘I beg your pardon!’ Como se eu fosse perdoar. E todas as outras pessoas na sala pensavam ‘Ela não faz ideia do que está dizendo agora’. Mas o fato é que eu sabia exatamente o que estava acontecendo na cena. Foi uma combinação louca de ‘Ela não faz ideia do que está fazendo’ e ‘Ela está fazendo’.”

Como todos os atores, novos e experientes, De Armas não tem nada além de adjetivos diplomáticos para deus projetos e figurinos, mãe ela fica radiante quando fala sobre Blonde, adaptado por Joyce Carol Oates a ficionalização de Norma Jeane Baker e dirigido por Andrew Dominik.

“Eu só tive que fazer uma audição para Marilyn e Andrew disse ‘É você’, mas ainda tive que fazer uma audição para todos os outros. Os produtores, o pessoal do dinheiro. Eu sempre tenho pessoas que preciso convencer. Mas eu sabia que poderia fazer isso. Interpretar Marilyn foi inovador. Uma cubana interpretando Marilyn Monroe. Eu queria tanto isso.”

Antes do roteiro chegar até Ana, seu conhecimento sobre Marilyn era limitado a alguns papéis e fotos icônicas, mas agora ela se tornou uma fã de carteirinha. Até seu cachorro, Elvis, interpreta o cachorro de Monroe no filme. (“O nome dele era Mafia. Sinatra o deu a Marilyn, obviamente.”) Ela também se identifica com Monroe de uma maneira mais profunda: “Você vê aquela foto famosa e ela está sorrindo no momento, mas isso é apenas uma fatia do que ela estava realmente enfrentando naquele tempo.”

“Nunca trabalhei tão perto de um diretor do que com Andrew. Sim, eu tive relações de colaboração, mas nunca para receber telefonemas à meia-noite, porque ele tem uma ideia e ele não consegue dormir e, de repente, você não consegue dormir pelo mesmo motivo.”

“Lembro-me de quando ela me mostrou um vídeo de seus testes de tela para Blonde,” diz Curtis, cujo pai estrelou com Monroe em Some Like It Hot. “Eu cai no chão. Eu mal podia acreditar. Ana tinha sumido completamente. Ela era Marilyn.”

Depois de meses de imersão no trabalho de preparação, parecia que nada podia afastá-la de seu caso de amor com Marilyn. Mas quem de nós nunca teve a cabeça virada por James Bond?

O diretor de Sem Tempo Para Morrer, Cary Joji Fukunaga, quem tem sido fã de De Armas por anos, escreveu o papel de Paloma especificamente para Ana, adicionando uma camada de humor para a personagem que eu ainda não havia visto ela fazer ainda – o que eu pensei que poderia ser divertido.

Ele é rápido em oferecer adjetivos que representam o apelo de De Armas (confiança, humor, atitude), mas no final do dia, “é intangível. As pessoas tem a qualidade mágica que você quer assistir ou elas não tem. Ela tem. Se você pudesse contar, você provavelmente conseguiria vender.”

Apesar do convite feito sob medida para o mundo de 007, De Armas queria ter certeza que não estava fazendo Bond pela vontade de Bond.

“Obviamente, eu estava pulando por todos os lugares e muito animada. Mas eu precisava ter certeza de que isso não colocaria em risco todo o trabalho que eu estava me empenhando, que isso não arruinaria tudo. E as mulheres Bond sempre foram, pelo menos para mim, pouco confiáveis.”

Suas preocupações eram válidas. Além dos rumores de cadeias musicais para roteiristas e contratempos no set – como o The Independent disse: “Houve uma produção mais difícil do que Sem Tempo Para Morrer?” – este é o primeiro filme de Bond da era Time’s Up. No entanto, não é a primeira vez que a franquia tenta abordar o sexismo. Historicamente, esse esforço ocorre na forma de dar as Bond Girls graus e nomes de personagens absurdamente rarefeitos, que existem para apoiar um único trocadilho. Veja: “Eu pensei que o Natal chegasse apenas uma vez por ano. Bond Girl pode ser tão redutora quanto ‘cuidadora latina e bonita’.”

“Eu nem as chamo de Bond Girls,” diz Daniel Graig. “Eu não vou negar isso para ninguém. É só que eu não consigo ter uma conversa sensível com alguém se estamos falando de ‘Bond Girls.’’

Craig foi ficou impressionado com o desempenho de Ana em Blade Runner 2049, então sua reação ao fato de ela ser escolhida para trabalhar ao seu lado em Entre Facas e Segredos foi igualmente entusiasmada.

“Eu deveria ser sempre sortudo de trabalhar com uma mulher como ela. Esse é um filme que tem um monte de merda acontecendo, muita atuação, eu incluso, mas ela brilha porque esse é o seu negócio. Ela tem um timing cômico e nós nem estamos oferecendo a ela a grande parte. Mas ela chegou e quebrou tudo. Os roteiros estavam sendo rescritos, você está mudando coisas o tempo todo ou jogando tudo nela, mas ela não está incomodada com isso.”

“Você também consegue dizer que Phoebe estava lá,” diz De Armas. “Existia aquele humor tão específico dela. Minha personagem parece que é uma mulher de verdade. Mas você sabe, podemos evoluir, crescer e incorporar a realidade. Mas Bond é uma fantasia. No final você não pode tirar coisas de onde eles vivem.”

“Não havia outra escolha,” explica a produtora de longa data de Bond, Barbara Broccoli. “Era Ana que todos nós queríamos.”

Entre Barbara e seu pai, o lendário “Cubby” Broccoli, eles têm produzido 25 filmes Bond. Sua música de preensão é “Diamonds Are Forever”, de Shirley Bassey.

“A personagem dela é alguém que acabou de começar a trabalhar para a CIA, e ela deveria ter um treinamento mínimo para conhecer Bond. A expectativa é que ela não seja a agente mais eficiente, mas digamos que ela realmente consegue dar soco bem dado.”

Por mais nova no ramo que De Armas é, seria um erro pensar que ela é um bebê nesse cenário de Hollywood. Essa é uma suposição que ela mesma faz e depois volta para trás, às vezes batendo no acelerador da estrela de cinema mais experiente e às vezes no freio da vulnerabilidade. “Sou como um peixe fora d’água”. A versão geral dela é menos parecida com sua personagem no início de Entre Facas E Segredos e mais parecida com ela no último shot do filme – a mulher de bom coração que foi arrastada para um jogo que ela não queria jogar mas ainda assim ganhou.

Quando as luzes piscam novamente no restaurante e os garçons cantam parabéns para uma mesa vizinha, ela decide, “Ah, então não é como Cuba, que pena.” Ela quer participar dessa entrevista da mesma maneira que, quando sugere que tomemos uma bebida, ela pede um daiquiri porque um mojito é “Hemingway demais, óbvio demais.” Quando chegou em LÁ, conheceu a produtora Colleen Camp enquanto estava com seu agente na garagem da CAA. Camp então a apresentou a Broccoli, o que a levou a Sem Tempo Para Morrer. É verdade que o sucesso de De Armas, em partes iguais de arte e necessidade, foi alcançado através do tipo de determinação que poucos em sua posição conseguiram com tanta honestidade.

“As pessoas perguntam: ‘Como você aprendeu inglês tão rápido?’ E eu respondo, ‘Porque minha vida dependia disso.’”

“Gosto de falar sobre vida e arte, bebês e animais de estimação. Atuar é o que eu amo fazer, mas não posso falar sobre essas coisas, pelo menos não o tempo todo.”

Mas não pode ser verdade que ela não está sozinha, que as máquinas da indústria tentam posicioná-la como a próxima Penélope Cruz desde War Dogs? Não pode ser verdade também que ela está entrincheirada em Caviar Town, EUA? Ela era uma estrela da Weinstein Company pré-implosão, estrelando em Hands of Stone em 2016. No início de sua vida em Los Angeles, ela estava em um relacionamento sério com o agente Franklin Latt, herdeiro de Kevin Huvane na CAA. À medida que o reconhecimento do seu nome se espalhou ela não se tornou estranha para os paparazzi ou fofocas sobre namorar – os fundamentos da visibilidade americana. Talvez, tão perto do outro lado da porta da fama, essas realidade possam parecer passíveis a serem discutidas.

Nós não citamos nomes, mas sobre sua vida pessoal, ela diz, sucintamente: “Eu tive companhia aqui, mas tem sido a companhia errada, então prefiro ficar sozinha.”

“Para todos aqueles que ficam se questionando como eu consegui fazer isso ou aquilo, vão se foder. Eles não vão passar o Ano Novo comigo. Eles não são as pessoas cujas opiniões me interessam. Eles não são as pessoas das quais eu divido a minha felicidade. Eu nunca tive uma agenda. Tudo o que eu quero fazer é trabalhar. Tudo o que eu quero fazer é conseguir algo desafiador para provar a mim mesma que eu sou capaz.”

Nós dois estamos cheios de feijão. E rum. Do lado de fora, o céu ficou laranja, talvez um cenário mais digno para um telhado em Havana do que o meio do Boulevard de Veneza. As luzes do restaurante piscam pela quarta vez e concordamos silenciosamente que está na hora de ir. Não importa o que aconteça na premiação amanhã à noite, De Armas sabe que ela se lembrará dela como uma noite maravilhosa durante esse momento que talvez, que irá, continuar mudando. Enquanto nos dirigimos para a porta, ela joga uma bolsa YSL de camurça com estampa de leopardo por cima do ombro. Eu a paro.

“Uau, seu estilista realmente se empenhou.”

“Não, não,” ela sorri “Essa é minha.” Eu digo a ela que me preocuparia em destruí-la. “Oh, você não deveria,” ela diz, saindo pelo lugar que ela entrou “A vida é pra ser vivida.”

Fonte | Tradução: Maria – Equipe Ana de Armas Brasil

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Ana fala sobre o movimento #MeToo, sua vida em Cuba e mais em entrevista à GQ México
postado por Ana de Armas Brasil

DEUSA! Ana de Armas é a capa do mês de abril da GQ México, e além de um ensaio maravilhoso, a atriz concedeu uma entrevista para a revista. Leia e confiram as fotos:

Atravessar o Paseo del Prado e a Avenida del Puerto é um dos pontos-chave de Havana. Quando chego lá, o tempo praticamente pára. Em frente, o icônico Capitólio, que se ergue entre edifícios antigos para se estabelecer como o coração da capital cubana.

À esquerda, a baía, com suas dezenas de cruzeiros que chegam todos os dias carregados de turistas ávidos por rum, tabaco e festa. Atrás, o mar, a vários quilômetros de distância, se funde com as águas da Flórida. E à direita, o famoso Malecón, lotado todas as tardes por moradores e visitantes, que chegam a este ponto para admirar o pôr do sol enquanto os sons emanam de um bar, uma casa ou qualquer carro que passa da Havana Velha ao bairro do Vedado. Visto desta forma, as razões pelas quais Ana de Armas considera essa parte como seu lugar favorito em sua cidade natal são bem compreendidas. “Meu lugar favorito em Cuba é Havana, e meu canto favorito da capital é o Malecón”, ela me conta entre risadas e com uma óbvia nostalgia em sua voz. O anseio está aumentando quando pergunto como foi crescer na ilha. “Eu tive uma infância muito divertida, espontânea, real e livre; mas também muito alerta do que estava acontecendo ao meu redor. Quando criança, você está ciente das situações políticas e sociais que ocorrem no país e no resto do mundo”, ela diz. “Cuba ainda é minha casa. Não importa quantos anos eu esteja fora, o quão ocupada estou, o pouco que consigo me comunicar com minha família ou amigos sempre será minha casa.”

O que você mais sente falta, além da família?
A comida (risos).

Ropa Vieja e Moros y cristianos? [Pratos típicos de Cuba]
Exatamente (risos). Devo confessar que às vezes preparo feijão preto, mas sinto falta do tempero e todo o ritual em torno da cozinha. Você vai para a casa de um amigo, joga dominó, enquanto prepara a comida, bebe uma cerveja e coloca alguns discos de salsa para animar a noite.

Nascida em 30 de abril de 1988, Ana diz que foi justamente todo o contexto em que sua infância foi passada que desencadeou seu amor pelo cinema e, mais tarde, seu desejo de se dedicar à atuação.

“Desde que eu era criança, participei de projetos de vizinhança, fizemos canto e dança. Aos 13 anos, comecei a contar aos meus pais que queria ser atriz. Assistimos a muitos filmes em casa. Lembro-me de ver cenas e depois correr para o espelho para repeti-las.”

Que filmes você reinterpretou? Alguém em particular marcou você?
Eu lembro de atuar muitas sequências do Titanic (risos). Especialmente aquele em que Jack está morrendo e ela não pode gritar porque sua voz está sufocada pelo frio. ‘Jack, Jack’… Sim, repeti isso várias vezes. Que vergonha! (e ela solta uma risada).

Não se preocupe, todos nós refizemos cenas de Titanic em algum momento de nossas vidas…
Sim, não é verdade?! Então não vou mais sentir vergonha.

Assim que alcançou a maioridade, Ana decidiu recolher todas as suas economias e comprar uma passagem para a Espanha, com um objetivo em mente: realizar seu sonho. Nos primeiros anos houve um estágio complicado para a garota cubana, cheia de desafios. No entanto, sua primeira oportunidade não demorou a chegar. Una rosa de Francia (2006), de Manuel Gutiérrez Aragón, foi seu primeiro filme, seguido de alguns projetos para a televisão. Ela foi Carolina Leal Solís, seu papel na bem-sucedida série El internado (2007), que lhe valeu reconhecimento público e popularização além das fronteiras do mediterrâneo. Ao contrário da longa provação que muitos atores tiveram que lutar para conseguir um lugar em Hollywood, de repente e inesperadamente, Ana já estava pronta para conquista-los quando foi contratada por Eli Roth para interpretar uma das duas mulheres sexy que se tornaram o pior pesadelo de Keanu Reeves no filme Knock Knock.

Na carreira de ator, quanto do sucesso é devido à sorte e quanto ao talento?
Eu acho que há sorte na vida. Todos nós temos mais e outros menos. Mas você também tem que cooperar um pouco (risos). Se você realmente quer algo, você deve persegui-lo e ser pró-ativo para chegar lá. Você tem que trabalhar duro e fazer um esforço. Como dizemos em Cuba, as coisas não caem do mato.

Após esta entrada triunfal no cinema, as portas se abriram para a cubana. Exposed (2016), Hands Of Stone (2016), War Dogs (2016) e Overdrive (2017), foram seus projetos seguintes, em alguns destes, teve a oportunidade de trabalhar com atores como Edgar Ramírez, Mira Sorvino, Scott Eastwood e o magnífico Robert De Niro. O começo dessa ótima caminhada veio com a megaprodução de Denis Villeneuve, Blade Runner 2049, continuação de um dos filmes mais icônicos da década de 80.

Na sequência, Ana interpretou Joi, o interesse romântico (e guia espiritual) de K, o personagem de Ryan Gosling. “Todos os envolvidos na produção estavam nervosos porque queríamos estar à altura do primeiro filme. Para mim foi tudo um reto, desde a audição para dar a vida a um papel tão completo fisicamente. Alias, foi a primeira vez em que me envolvi em uma gravação tão extensa. As gravações duraram cinco meses e exigiram de mim um grande trabalho emocional e psicológico. Sabia que era um filme muito grande e isso sempre nos deixa com medo”.

Em algum momento você se sentiu intimidada por estas grandes estrelas de Hollywood com quem você já trabalhou?
Sim. Foram momentos curtos, até mesmo minutos. É algo inevitável, porque trabalhar com essa grandes ícones tem sido um sonho que se tornou realidade. Tem sido sorte de contracenar com pessoas que são mais artistas do que ego e isso me ajudou muito, porque nos instantes de insegurança tenho que ficar mais focada em meu trabalho. Isso me faz sentir igual a eles e isso ajuda.

Com um exército de milhões de seguidores no Instagram e Twitter (Ana_d_Armas) nas costas, este ano a cubana traz embaixo do braço um novo projeto. Trata-se do longa metragem “Three Seconds”, que está nas ordens de Andréa Dia Stefano (Escobar: El paraíso perdido, 2014), e onde compartilhará cartaz com Joel Kinnaman e Rosamund Pike. No filme, ela estará no papel de Sofía, uma mulher forte e poderosa, uma mãe de família que sempre protege seus filhos sem se importar com as consequências.

“Com Joel tenho uma parceria poderosa. Uma espécie de Bonnie e Clyde, juntos até que a morte os separe”, revela. E já que falamos de mulheres valentes, De Armas está convencida de que é necessário que as atrizes sigam criando a voz e que Hollywood abram as portas necessárias para terem mais representação feminina em grandes filmes, pois “como atriz, chega um momento em que quer crescer e fazer outras coisas, contas histórias diferentes. Ainda tem muito a se fazer, é um tema que ainda está em estado de letargia”.

Qual é sua postura em relação ao movimento #MeToo? Você apoia as mulheres que estão falando para denunciarem os abusos?
Eu estou com as mulheres que têm falado e também com aquelas que ainda não falaram. Como mulher, defendo o direito de contar ou não algo tão íntimo e horrível. Alias, nem todas reagimos da mesma maneira, cada uma reage de uma forma. Nem todas vamos à manifestações, nem todas temos a capacidade de tornamos líderes de um movimento; mas temos outros modos de fazer este trabalho social, começando pela educação e pela família.

Fonte | Tradução – Equipe ADABR e Yasmim

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