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A fuga da Ana de Armas
postado por Fernanda

A fuga da Ana de Armas – a radiante estrela cubana de Agente Oculto (The Gray Man) – é complexa, contemplativa e extremamente grata por ter escapado de LA.

Ana de Armas está aliviada porque os últimos dois anos ficaram para trás. “Foi estranho”, diz ela. Seu pai estava doente com uma doença não-COVID e ela queria voltar para Cuba, de onde ela é, mas a ilha estava fechada para viagens durante a pandemia. “E então, ao mesmo tempo, eu estava trabalhando muito e me sentia muito sortuda.” Ela filmou Agente Oculto (The Gray Man), o filme de ação dirigido por Anthony e Joe Russo e co-estrelado por Ryan Gosling e Chris Evans, supostamente o filme de maior orçamento que a Netflix já fez.

Bem, e havia muita atenção focada nela por causa de um relacionamento com Ben Affleck, que foi amplamente fotografado e fofocado. Como foi isso, eu tive que perguntar. “Horrível”, diz ela, balançando a cabeça e abrindo seus grandes olhos castanhos esverdeados redondos para dar ênfase. Sério? “Sim, o que é bom”, diz ela. “Essa é uma das razões pelas quais eu deixei Los Angeles.”

Ela passou sete anos em Los Angeles, vendo a vida de outros artistas se tornar um aquário completo com paparazzi acompanhando cada movimento seu. “Passar por isso [eu mesma], confirmou meus pensamentos sobre: ‘Este não é o lugar para eu estar’”, diz ela. “Se tornou um pouco demais. Não tem escapatória. Não tem saída”. Em Los Angeles, ela acrescenta, “é sempre a sensação de algo que você não tem, algo faltando. É uma cidade que te deixa ansiosa(o).”

Ela mora em Nova York agora, em um apartamento com o namorado, o executivo do Tinder, Paul Boukadakis, e me encontrou no jardim Ladurée, no SoHo, onde está bebendo chá de jasmim e sentada de costas para a multidão. Os dois se conheceram durante a pandemia por meio de um amigo em comum e, com muitos lugares fechados, passaram os primeiros encontros na casa um do outro, bebendo vinho e conversando.

Não que ela tenha passado muito tempo em sua nova cidade. Ela filmou “Agente Oculto” (The Gray Man) na França e Praga e em estúdios de som em Long Beach, Califórnia. É seu segundo grande filme de ação depois de sua breve, mas chamativa atuação no filme “No Time to Die” de James Bond. “A verdade é que nunca pensei que seria uma atriz de ação. Não era minha praia”, diz ela. No entanto, as ofertas começaram a chegar. “Você tem que ter cuidado, porque não é nisso que eu quero focar. Não é onde estou mais confortável, para ser honesta, porque me sinto ridícula. E dá muito trabalho.”

Seus grandes e tão esperados filmes – o filme de Bond e “Blonde” deste outono (estadunidense), no qual ela interpreta Marilyn Monroe – tiveram muitos atrasos. Ela leu o roteiro de “Agente Oculto” (The Gray Man) e ficou intrigada e pronta para trabalhar, mas “o roteiro ainda precisava ser trabalhado. Minha personagem precisava de mudanças. Mas a reunião correu tão bem. Esses dois são muito divertidos”, diz ela sobre os irmãos Russo.

Sua personagem, Dani Miranda, é uma agente da CIA. “No começo, ela é muito fiel às regras, e essa é a missão, e é um grande negócio para ela, sua carreira e sua reputação”, diz de Armas. Para a pesquisa, ela interrogou um agente da CIA por telefone sobre a cadeia de comando e confiança.

O que é realmente interessante sobre Dani é que em outro filme ela seria a mulher simbólica pela qual um dos protagonistas se apaixonaria (e para ser justa, em um filme com os protagonistas sendo Gosling, Evans e Regé-Jean Page, os homens mais bonitos do mundo, o trabalho não seria tão cansativo). Em vez disso, a dinâmica entre sua personagem e a de Gosling é amigável e respeitosa. O que parece uma pequena vitória para as mulheres. “Fiquei muito feliz em ver que eles não apressaram esse relacionamento. O que quer que aconteça no futuro, eu não sei” – o filme implora por uma franquia – “mas fiquei feliz que o foco estava na missão”.

Chris Evans, seu amigo e colega de elenco três vezes, em “Agente Oculto” (The Gray Man), seu papel inovador em “Knives Out” (Entre facas e segredos), e o próximo “Ghosted”, um filme de ação e aventura que ela acabou de filmar em Atlanta), diz: “Em primeiro lugar eu sou um fã. Existem certas pessoas na câmera que você não consegue parar de assistir, e seu alcance, do poder à vulnerabilidade, é incrivelmente amplo. Todo ator tem trejeitos fortes, mas ela pode ir de quase perigosa a exposta, gentil e suave em uma cena.”

De Armas cresceu em Cuba, em uma cidade litorânea onde sua família não tinha computador nem serviço de internet, nem mesmo telefone celular. Quando ela tinha nove anos, sua avó morreu e sua família se mudou para Havana para ficar com seu avô.

Era um mundo novo para ela, e ela se sentia um pouco como uma estranha na cidade grande. Mas foi também o que a colocaria em sua carreira. De Armas se matriculou em uma escola de teatro de Havana aos 14 anos, cercado por estudantes de música, circo e arte. Ela se encontrava com os amigos no Malecón, o famoso calçadão à beira-mar de Havana e ponto de encontro, “tocando violão e bebendo rum até a manhã seguinte. Foi como um grande e divertido festival de teatro e de cinema, e isso era incrível”, diz ela. Ela fez três filmes cubanos. E então, aos 18 anos, ela partiu para a Espanha.

Ela se estabeleceu em Madri, principalmente assumindo papéis na TV. Ela fez uma vida para si mesma e encontrou um grupo de amigos, mas depois de oito anos, aos 26, decidiu arriscar em Los Angeles. Lá, descobriu que nenhum dos trabalhos anteriores que havia feito em Cuba e na Espanha realmente importava para os diretores de elenco. E depois havia o inglês dela, que não era tão fluente quanto agora. Ela frequentava aulas de inglês das 8h às 15h por três meses para melhorar. (Conversando pessoalmente, ela fala com um sotaque um pouco mais forte do que fala em diálogos em filmes.) A coisa toda foi uma experiência de humildade.

Ela adora viver em Nova York, ela fica a apenas três horas de voo direto de Havana e está muito mais perto da Espanha do que em L.A. Você gosta de morar na América (Estados Unidos)? eu pergunto: “Eu gosto”, diz ela. “Às vezes.” Ressalto que ela fez uma pausa antes de responder. “Ás vezes eu gosto; às vezes sinto falta da Europa.” Não há exatamente uma tristeza, mas uma melancolia nela.

Ela está equilibrando um intenso desejo de fazer isso, de ser um grande nome conhecido, com a sensação de ser deslocada. “Às vezes sinto que não faço parte da comunidade artística cubana, e então estive na Espanha e sinto que não faço parte da comunidade de lá – especialmente porque na Espanha fiz mais TV do que filmes”, ela diz. “E então estou aqui, e sinto que ainda não cheguei lá. Você sabe? Eu faço parte da comunidade? Eu mal conheço ninguém.”

Ela pode estar exagerando um pouco seu status de deslocada. Quando sua colega de elenco de “Knives Out” (Entre facas e segredos), Jamie Lee Curtis, a conheceu em seu primeiro dia, Curtis disse: “Eu presumi – e digo isso com muita vergonha, porque ela tinha vindo de Cuba – que ela tinha acabado de chegar [em EUA]. E assumi que ela era uma jovem inexperiente e sem sofisticação. Naquele primeiro dia, eu fiquei tipo, ‘Oh, quais são seus sonhos?‘” Lee Curtis perguntou isso porque ela estava tão impressionada com De Armas que queria apresentar ela ao Steven Spielberg para interpretar Maria em “West Side Story”, ou aos afilhados de Curtis, Maggie e Jake Gyllenhaal. Ela ficou surpresa por Ana já conhecer Jake. De Armas também é próximo de Keanu Reeves, seu colega de elenco em seu primeiro filme em inglês, “Knock Knock” de Eli Roth.

Curtis diz que sua amiga não é a completa estranha e nem a mulher glamourosa no tapete vermelho ou nas campanhas da Estée Lauder. “Ela não é tão chique quanto talvez os anúncios/comerciais fazem você acreditar. Ela se inclina, interessada; falar com ela é uma espécie de dar e receber. Ela é curiosa e faz muitas perguntas”, diz Curtis.

De Armas tem uma ambição nua que irradia dela. Ela quer produzir mais. Ela foi produtora executiva de “Ghosted”; e em seu futuro projeto “Ballerina”, que faz parte do universo de John Wick e a reúne com Reeves, ela esteve intimamente envolvida na busca do escritor. “Foi muito importante para mim contratar uma escritora, porque até aquele momento, quando me envolvi no projeto, era apenas o diretor, Len Wiseman, e outro cara. E eu fiquei tipo, ‘Isso não vai funcionar.’ Então eu entrevistei, tipo, cinco ou seis escritoras. Contratamos a Emerald Fennell, da qual eu estava muito orgulhosa.” Sobre seu feminismo, de Armas acrescenta: “Eu cresci na cultura mais machista e, ao mesmo tempo, Cuba é tão livre de tantas outras maneiras que às vezes fico chocada com as coisas que ouço que ainda são conversas neste país. Eu fico tipo, ‘Ainda estamos aqui? [nesse assunto?]‘”

Ela escolhe projetos com base em parte nos diretores com quem quer trabalhar. “E também, é claro, com [os projetos] que tem para mim”, diz ela com um sorriso malicioso. “Blonde” é baseado no romance histórico de Joyce Carol Oates sobre Marilyn Monroe. De Armas foi para Los Angeles para fazer um teste de tela para o papel de Marilyn enquanto filmava “Knives Out”. “Ela me mostrou uma foto dela como Marilyn”, lembra Curtis. “Meu pai estava [no filme com a Marilyn] em “Some Like It Hot” (Quanto Mais Quente Melhor), e eu tenho muitas fotos do meu pai e da Marilyn. Eram algumas fotos estáticas e um vídeo dela [Ana] se movendo pelo espaço sem áudio. Mas foi tão chocante porque ela era a Marilyn.”

O fato de uma atriz latina com sotaque cubano ter sido escalada para Blonde não é apenas um sinal de seu talento, mas que Hollywood pode estar se tornando um pouco mais aberta sobre suas práticas de elenco e se movendo – lentamente – em direção à inclusão. “Definitivamente está mudando; está ficando melhor. Mas é difícil saber agora, estando na minha posição, porque sei que não é o mesmo para todos”, diz de Armas. “E eu sinto que vem dos cineastas, que a diversidade se tornou uma obrigação. Você tem que fazer a coisa certa. Graças a Deus.”

Ela espera estar abrindo caminho para outros atores/atrizes, mas, ao mesmo tempo, ela não quer apenas interpretar mulheres cuja característica definidora é sua etnia. Ela quer encontrar um equilíbrio. “Eu quero interpretar latinas. Mas eu não quero colocar uma cesta de frutas na minha cabeça toda vez”, diz ela. “Então essa é a minha esperança, que eu possa mostrar que podemos fazer qualquer coisa se tivermos tempo para nos preparar e se tivermos apenas a chance, apenas uma chance. Você pode fazer qualquer filme – Blonde – você pode fazer qualquer coisa. O problema é que às vezes você nem chega à sala com o diretor para sentar e provar a si mesmo(a). É cansativo e frustrante”, diz ela.

Para lidar com o intenso escrutínio (invasão de privacidade) imposto a ela, ela não se pesquisa no Google. “Eu deletei o Twitter anos atrás”, diz ela. “Eu mal estou no Instagram há quase um ano.” E sem contas secretas do Instagram – sem segredos.

Ela não tem muito tempo. Ela viaja – está prestes a partir para San Diego para um desfile da Louis Vuitton, a mesma marca cujo ela está vestindo – e se prepara para papéis, o que, para filmes de ação como Agente Oculto (The Gray Man), envolve treinamento seis dias por semana. Ela vai passar férias na Itália neste verão e “todos os limoncellos e tiramisus (sobremesa italiana) que eu conseguir comprar, vou comprar”. Ela também está comprando online biquínis e vestidos de verão para a viagem. Com o tempo livre que ela tem, ela faz FaceTime com seus amigos e sai com seus cachorros, Elvis e Salsa.

Para compartilhar o quão longe ela chegou, ela me conta sobre seu recente aniversário de 34 anos, que aconteceu no set de filmagem de ‘Ghosted’. “Era na praia e [tinha] uma fogueira, e estávamos trabalhando até quase 1 da manhã. No final, eu disse: ‘Ok. Este é meu aniversário, então eu preciso de uma [bebida de] bola de fogo.’ Sim, ela descobriu recentemente bebidas copos de bolas de fogo – que ela entende que a maioria dos americanos estadunidenses associa à bebedeira da época da faculdade – e acha que essas bebidas são a melhor coisa que ela já bebeu. “Eu tinha todo mundo comigo: meu namorado, meus cachorros, Chris e a equipe. Eu não estava em casa tendo um jantar romântico; Eu estava no set com meu pessoal fazendo o que eu amo e na praia e tomando uma dose de [bebida] Fireball”, ela diz. “Então esse foi meu aniversário de 34 anos. E foi o mais feliz que já tive.”

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 FONTE | Tradução: Equipe Ana de Armas Brasil