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Arquivo de 'Vanity fair'



postado por Ana de Armas Brasil

Reinventando a Bond Girl. Ficando Loira como Marilyn Monroe. Como a estrela de Entre Facas e Segredos, Ana de Armas, está conquistando Hollywood.

Existe uma porta que separa celebridades de civis, nos deixando curiosos o suficiente para espiar pelo buraco da fechadura com uma ideia incompleta de fama. Aqui, por exemplo, é a versão do buraco da fechadura de Ana de Armas, a estrela de 31 anos do filme do ano passado, Entre Facas e Segredos: Ela dispara pela sala de jantar de Versalhes, o posto avançado de Culver City no famoso restaurante cubano de Miami, como se estivesse tentando economizar alguns segundos do seu tempo. É o dia antes do Golden Globes e ela acabou de sair de um tratamento facial, o que lembra um mordomo polindo talheres já reluzentes. De Armas foi nominada por seu papel como Marta Cabrera, a bússola moral do filme de mistério Entre Facas e Segredos, e embora ela não ganhe um prêmio, ela ganhará o tapete vermelho em um vestido Ralph & Russo azul marinho com lantejoulas. Enquanto as luzes piscam acima de nós ela sorri e diz “Assim como Cuba.” Oh, mas a luz de De Armas não mostra sinais de escurecimento.

Fim do buraco da fechadura.

“É impossível, não? Capturar uma pessoa inteira, entender a vida de outra pessoa sem contexto. Eu não vejo esse momento e estou no meio dele. Acho que nunca vou conseguir, e quando eu puder, isso já terá mudado.”

Nova, mas firme do outro lado da porta da fama, de Armas está em uma rara posição de abri-la, de ser franca sobre o que significa estar em destaque, de ter sua vida reduzida a um estereótipo, de estar cansada de Los Angeles (quando você ler isso, ela terá sumido). Apenas a alguns anos atrás ela passava sete horas do seu dia sentada em uma sala de aula, aprendendo a falar inglês, o que ela fez em quatro meses. Agora, ela é uma das multitarefas mais eficientes de Hollywood: Ela vai aparecer em Sem Tempo Para Morrer, o 25º filme de James Bond, em um papel concedido a ela por Cary Joji Fukunaga e escrito (a maior parte) por Phoebe Waller-Bridge; ela estrela no suspense erótico que será lançado, Deep Water, com Ben Affleck, dirigido por Adrian Lyne, assim como em Sergio, o drama politico da Netflix; ela voltará a suas raízes (quando Ana era uma criança, ela era loira) para se tornar Marilyn Monroe em Blonde. O fato de seu trabalho anterior ao lado de Ryan Gosling (Blade Runner 2049) e Keanu Reeves (duas vezes, Exposed e Knock Knock) já estar tão longe que sua página no IMDB é bastante surpreendente. Então, como ela chegou aqui?

Feijão, em partes.

“Eu estou tão empolgada com essa comida,” ela diz pegando um pedaço de pão do qual você poderia torcer manteiga, “o que é louco, porque eu acabei de voltar depois de dois meses em Cuba. Isso é meu combustível.”

De Armas tem uma casa em Havana, onde a maioria de seus amigos e familiares ainda vive. Dois minutos em sua companhia evocam imagens fáceis de uma Havana onírica. Ela passou o ano novo em uma “festa no telhado, na parte antiga de Havana, tocando música, dançando e bebendo.” Mas as coisas são mais complicadas do que parecem. Essa festa estava cheia de atores que ela admirava a muito tempo que “disseram o quão orgulhosos estavam e que agora eu era o exemplo para atores cubanos.” Ela chora ao contar. Seus pais nunca puderam comparecer a suas estreias no cinema. Eles assistem seus trabalhos “depois, com uma cópia de qualidade ruim ou algo do tipo.” No que deveria ser uma sátira, alguns conhecidos de Los Angeles chegaram ao ponto de dizer a ela que invejam a sua “desintoxicação digital” quando está em Cuba ou a diversão de “não saber o que você vai comer no café da manhã.” Quando o país for brevemente aberto durante o governo Obama, ela ouviu preocupações de que a Starbucks seria superada – “Os americanos reclamam de algo que existe, mas quando não o têm, também reclamam.” Considere a resposta dela para “O que você está vestindo?” o que deveria ser equivalente a como soletrar seu nome corretamente no SATs para uma celebridade:

“Eu não tenho nenhuma roupa.”

“Como?”

“Vim direto de Havana, então estou usando minhas roupas de avião. Minhas malas ficam cheias de roupas, remédios ou suprimentos – o que as pessoas precisam – e voltam vazias. Minha estilista me deu esse traje Saint Laurent para eu parecer legal. Eu não uso isso na vida real.”

Só para constar, ela tem roupas. Está tudo em Nova Orleans, onde ela está filmando Deep Water. E, para constar, Hollywood “não é a minha vida, é a minha realidade.”

“Eu tenho amigos ótimos e coisas incríveis tem acontecido comigo aqui, mas o estilo de vida e a exposição e as situações de negócios constante não é para mim. Eu gosto de falar sobre a vida e arte e bebês e animais. Atuar é o que eu amo fazer, mas eu não posso falar sobre essas coisas, pelo menos não o tempo todo.” Ou, para citar Marilyn Monroe: “É bom ter caviar mas não quando você tem em todas as refeições.” Feijão talvez. Mas não caviar.

Portanto de Armas está voltando para Havana por enquanto, meia hora de distância da cidade onde ela cresceu. Quando criança, ela não fugia para o centro da cidade porque “é algo preocupante quando não se tem transporte.” Em vez disso, ela e seus amigos entretinham a si mesmos e os vizinhos atuando, dançando e cantando (ela era Baby Spice em uma adorável banda cover amadora das Spice Girls. Mas não entendia a letra de “Wannabe” até ela ouvir no radio alguns anos atrás). Eventualmente, seus pais a matricularam na escola de teatro (“Eu pegava carona todas as manhãs, ficava ao lado do semáforo, onde os carros tem que parar de qualquer maneira, ia até a janela e dizia as pessoas para onde eu precisava ir.”) Mas os filmes americanos não eram um reflexo em seus olhos, principalmente porque ela não podia se ver neles.

“Eu via as casas e os aviões, todo o dinheiro e as pessoas roubando bancos e isso claramente não era real, exatamente como as princesas não eram reais. Foi fantasia. Os atores cubanos eram os que eu olhava, porque essa era a minha realidade: pessoas entrando em um barco ou gritando umas com as outras ou matando um porco.”

De Armas partiu para Madri aos 18 anos, o mais rápido que pôde legalmente, apenas porque deus avós maternos são espanhóis. Lá, as coisas se encaixaram rapidamente. Ela conseguiu um agente através de um filme que havia feito dois anos atrás e depois teve sorte e uma semana depois, um diretor de elenco ligou. De Armas estrelou em El Internado, que foi um grande sucesso, um pouco como Stranger Things. Somente depois que ela sentiu que havia superado isso de forma criativa (ela se sentia “sem inspiração” e ainda estava interpretando uma adolescente) é o porque ela veio para os Estados Unidos. Acho difícil imaginar que Hollywood não fosse onde ela deveria estar, vendo o quão bem ela é levada a isso e a ela. (Como Bobby Finger disse sobre De Armas no podcast semanal da Who?: É engraçado… quando alguém diz: ‘Esta mulher talentosa está prestes a estar em todo lugar’ e então você olha para eles e diz ‘Sim, sem duvidas’). Mas, como de Armas me lembra, contexto é a chave. A dela era uma das poucas famílias cubanas sem ninguém em Miami. A conversa era sempre sobre Espanha.

“As pessoas perguntam ‘Como você fez essa escolha ou aquela?’ Mas sempre teve apenas uma única escolha por vez. Eu nunca vi minha vida de duas formas diferentes, a forma que eu queria que fosse e o plano B. Sempre existiu apenas a forma que eu queria que fosse.”

Dá-se a sensação de que não há muito fora do alcance de Ana. Seu colega de elenco de Entre Facas e Segredos, Jamie Lee Curtis não fazia ideia de quem ela era quando se conheceram. Em uma cena diretamente de Nothing Hill, ela diz que “achava que Ana era esse pedaço de barro não moldado e eu perguntei a ela sobre seus objetivos como se eu estivesse falando com uma estudante universitária, aí eu mandei um e-mail para Steven Spielberg dizendo que o departamento de elenco dele deveria realmente pesquisar sobre essa mulher, como ela não tinha ao menos um agente.” Um ano depois, Curtis, está em uma melhor posição para avaliar a determinação de sua amiga: “Ela é notável. Ela será como Sophia Loren, uma daquelas raras sensações em todo o mundo. Ela tem essa profundidade requintada e é singularmente gentil e insanamente bonita, mas também é uma garota de Cuba, então há tenacidade, perseverança e ferocidade nela.”

Esta profundidade de caracterização estava ausente na descrição inicial da personagem de Ana em Entre Facas e Segredos. Marta se resumia a: “cuidadora latina e bonita” e De Armas quase não aceitou o papel.

Ela ressalta que os atores latinos ainda são frequentemente atacados com palavras como sensualidade e fogo.

“Ou então é ‘sexy com um temperamento’. E é quem nós somos. Não há nada de errado com isso, desde que não se resuma a apenas isso. É com isso que tenho um problema.”

“Você quer dizer que não acorda todas as manhãs, veste uma saia curta e começa a gritar com as pessoas?”

“Oh, bem, sim, faço isso até ficar exausta, então coloco uma cesta de frutas na cabeça e digo ‘Vá se foder’, e então eu dou uma pausa e depois faço de novo.”

Por maus que ela evite os esteriótipos em seu trabalho, ela acha que as vezes, isso foi útil nos bastidores, particularmente em uma pré #MeToo Hollywood. Ela credita seus pais por ensiná-la sobre homens e limites e como falar e se descreve como rápida e capaz de não dar a mínima. E enquanto ela se considera sortuda por ter trabalhado com seres humanos graciosos e adequados, ela admite que “a coisa cubana ajuda.”

“Como assim?”

Ela estreita os olhos, mexe o dedo em sentido de negação e faz um som “tsk-tsk” como se estivesse vendo um cachorro contemplar um mau comportamento.

Quando De Armas chegou a Los Angeles, ela “exigiu” que seus agentes a mandassem para audições, dizendo que ela não havia ido a Hollywood para se formar em inglês. Se já existe uma história associada a De Armas, é a seguinte: ela fez tudo foneticamente. No set de War Dogs; no qual ela interpreta a namorada de Miles Teller, o diretor Todd Phillips “mudou uma linha do diálogo e foi um desastre. No final ele falou tipo ‘Tudo bem, esqueça, apenas diga o que você tinha.’ Não é uma posição legal para se estar como uma atriz. Eu mal conseguia sustentar uma conversa.”

“A primeira vez que eu li a minha fala eu não fazia ideia do que ‘I beg your pardon’ era,” ela lembra, rindo, “Eu pensei que estava realmente com raiva, como ‘I beg your pardon!’ Como se eu fosse perdoar. E todas as outras pessoas na sala pensavam ‘Ela não faz ideia do que está dizendo agora’. Mas o fato é que eu sabia exatamente o que estava acontecendo na cena. Foi uma combinação louca de ‘Ela não faz ideia do que está fazendo’ e ‘Ela está fazendo’.”

Como todos os atores, novos e experientes, De Armas não tem nada além de adjetivos diplomáticos para deus projetos e figurinos, mãe ela fica radiante quando fala sobre Blonde, adaptado por Joyce Carol Oates a ficionalização de Norma Jeane Baker e dirigido por Andrew Dominik.

“Eu só tive que fazer uma audição para Marilyn e Andrew disse ‘É você’, mas ainda tive que fazer uma audição para todos os outros. Os produtores, o pessoal do dinheiro. Eu sempre tenho pessoas que preciso convencer. Mas eu sabia que poderia fazer isso. Interpretar Marilyn foi inovador. Uma cubana interpretando Marilyn Monroe. Eu queria tanto isso.”

Antes do roteiro chegar até Ana, seu conhecimento sobre Marilyn era limitado a alguns papéis e fotos icônicas, mas agora ela se tornou uma fã de carteirinha. Até seu cachorro, Elvis, interpreta o cachorro de Monroe no filme. (“O nome dele era Mafia. Sinatra o deu a Marilyn, obviamente.”) Ela também se identifica com Monroe de uma maneira mais profunda: “Você vê aquela foto famosa e ela está sorrindo no momento, mas isso é apenas uma fatia do que ela estava realmente enfrentando naquele tempo.”

“Nunca trabalhei tão perto de um diretor do que com Andrew. Sim, eu tive relações de colaboração, mas nunca para receber telefonemas à meia-noite, porque ele tem uma ideia e ele não consegue dormir e, de repente, você não consegue dormir pelo mesmo motivo.”

“Lembro-me de quando ela me mostrou um vídeo de seus testes de tela para Blonde,” diz Curtis, cujo pai estrelou com Monroe em Some Like It Hot. “Eu cai no chão. Eu mal podia acreditar. Ana tinha sumido completamente. Ela era Marilyn.”

Depois de meses de imersão no trabalho de preparação, parecia que nada podia afastá-la de seu caso de amor com Marilyn. Mas quem de nós nunca teve a cabeça virada por James Bond?

O diretor de Sem Tempo Para Morrer, Cary Joji Fukunaga, quem tem sido fã de De Armas por anos, escreveu o papel de Paloma especificamente para Ana, adicionando uma camada de humor para a personagem que eu ainda não havia visto ela fazer ainda – o que eu pensei que poderia ser divertido.

Ele é rápido em oferecer adjetivos que representam o apelo de De Armas (confiança, humor, atitude), mas no final do dia, “é intangível. As pessoas tem a qualidade mágica que você quer assistir ou elas não tem. Ela tem. Se você pudesse contar, você provavelmente conseguiria vender.”

Apesar do convite feito sob medida para o mundo de 007, De Armas queria ter certeza que não estava fazendo Bond pela vontade de Bond.

“Obviamente, eu estava pulando por todos os lugares e muito animada. Mas eu precisava ter certeza de que isso não colocaria em risco todo o trabalho que eu estava me empenhando, que isso não arruinaria tudo. E as mulheres Bond sempre foram, pelo menos para mim, pouco confiáveis.”

Suas preocupações eram válidas. Além dos rumores de cadeias musicais para roteiristas e contratempos no set – como o The Independent disse: “Houve uma produção mais difícil do que Sem Tempo Para Morrer?” – este é o primeiro filme de Bond da era Time’s Up. No entanto, não é a primeira vez que a franquia tenta abordar o sexismo. Historicamente, esse esforço ocorre na forma de dar as Bond Girls graus e nomes de personagens absurdamente rarefeitos, que existem para apoiar um único trocadilho. Veja: “Eu pensei que o Natal chegasse apenas uma vez por ano. Bond Girl pode ser tão redutora quanto ‘cuidadora latina e bonita’.”

“Eu nem as chamo de Bond Girls,” diz Daniel Graig. “Eu não vou negar isso para ninguém. É só que eu não consigo ter uma conversa sensível com alguém se estamos falando de ‘Bond Girls.’’

Craig foi ficou impressionado com o desempenho de Ana em Blade Runner 2049, então sua reação ao fato de ela ser escolhida para trabalhar ao seu lado em Entre Facas e Segredos foi igualmente entusiasmada.

“Eu deveria ser sempre sortudo de trabalhar com uma mulher como ela. Esse é um filme que tem um monte de merda acontecendo, muita atuação, eu incluso, mas ela brilha porque esse é o seu negócio. Ela tem um timing cômico e nós nem estamos oferecendo a ela a grande parte. Mas ela chegou e quebrou tudo. Os roteiros estavam sendo rescritos, você está mudando coisas o tempo todo ou jogando tudo nela, mas ela não está incomodada com isso.”

“Você também consegue dizer que Phoebe estava lá,” diz De Armas. “Existia aquele humor tão específico dela. Minha personagem parece que é uma mulher de verdade. Mas você sabe, podemos evoluir, crescer e incorporar a realidade. Mas Bond é uma fantasia. No final você não pode tirar coisas de onde eles vivem.”

“Não havia outra escolha,” explica a produtora de longa data de Bond, Barbara Broccoli. “Era Ana que todos nós queríamos.”

Entre Barbara e seu pai, o lendário “Cubby” Broccoli, eles têm produzido 25 filmes Bond. Sua música de preensão é “Diamonds Are Forever”, de Shirley Bassey.

“A personagem dela é alguém que acabou de começar a trabalhar para a CIA, e ela deveria ter um treinamento mínimo para conhecer Bond. A expectativa é que ela não seja a agente mais eficiente, mas digamos que ela realmente consegue dar soco bem dado.”

Por mais nova no ramo que De Armas é, seria um erro pensar que ela é um bebê nesse cenário de Hollywood. Essa é uma suposição que ela mesma faz e depois volta para trás, às vezes batendo no acelerador da estrela de cinema mais experiente e às vezes no freio da vulnerabilidade. “Sou como um peixe fora d’água”. A versão geral dela é menos parecida com sua personagem no início de Entre Facas E Segredos e mais parecida com ela no último shot do filme – a mulher de bom coração que foi arrastada para um jogo que ela não queria jogar mas ainda assim ganhou.

Quando as luzes piscam novamente no restaurante e os garçons cantam parabéns para uma mesa vizinha, ela decide, “Ah, então não é como Cuba, que pena.” Ela quer participar dessa entrevista da mesma maneira que, quando sugere que tomemos uma bebida, ela pede um daiquiri porque um mojito é “Hemingway demais, óbvio demais.” Quando chegou em LÁ, conheceu a produtora Colleen Camp enquanto estava com seu agente na garagem da CAA. Camp então a apresentou a Broccoli, o que a levou a Sem Tempo Para Morrer. É verdade que o sucesso de De Armas, em partes iguais de arte e necessidade, foi alcançado através do tipo de determinação que poucos em sua posição conseguiram com tanta honestidade.

“As pessoas perguntam: ‘Como você aprendeu inglês tão rápido?’ E eu respondo, ‘Porque minha vida dependia disso.’”

“Gosto de falar sobre vida e arte, bebês e animais de estimação. Atuar é o que eu amo fazer, mas não posso falar sobre essas coisas, pelo menos não o tempo todo.”

Mas não pode ser verdade que ela não está sozinha, que as máquinas da indústria tentam posicioná-la como a próxima Penélope Cruz desde War Dogs? Não pode ser verdade também que ela está entrincheirada em Caviar Town, EUA? Ela era uma estrela da Weinstein Company pré-implosão, estrelando em Hands of Stone em 2016. No início de sua vida em Los Angeles, ela estava em um relacionamento sério com o agente Franklin Latt, herdeiro de Kevin Huvane na CAA. À medida que o reconhecimento do seu nome se espalhou ela não se tornou estranha para os paparazzi ou fofocas sobre namorar – os fundamentos da visibilidade americana. Talvez, tão perto do outro lado da porta da fama, essas realidade possam parecer passíveis a serem discutidas.

Nós não citamos nomes, mas sobre sua vida pessoal, ela diz, sucintamente: “Eu tive companhia aqui, mas tem sido a companhia errada, então prefiro ficar sozinha.”

“Para todos aqueles que ficam se questionando como eu consegui fazer isso ou aquilo, vão se foder. Eles não vão passar o Ano Novo comigo. Eles não são as pessoas cujas opiniões me interessam. Eles não são as pessoas das quais eu divido a minha felicidade. Eu nunca tive uma agenda. Tudo o que eu quero fazer é trabalhar. Tudo o que eu quero fazer é conseguir algo desafiador para provar a mim mesma que eu sou capaz.”

Nós dois estamos cheios de feijão. E rum. Do lado de fora, o céu ficou laranja, talvez um cenário mais digno para um telhado em Havana do que o meio do Boulevard de Veneza. As luzes do restaurante piscam pela quarta vez e concordamos silenciosamente que está na hora de ir. Não importa o que aconteça na premiação amanhã à noite, De Armas sabe que ela se lembrará dela como uma noite maravilhosa durante esse momento que talvez, que irá, continuar mudando. Enquanto nos dirigimos para a porta, ela joga uma bolsa YSL de camurça com estampa de leopardo por cima do ombro. Eu a paro.

“Uau, seu estilista realmente se empenhou.”

“Não, não,” ela sorri “Essa é minha.” Eu digo a ela que me preocuparia em destruí-la. “Oh, você não deveria,” ela diz, saindo pelo lugar que ela entrou “A vida é pra ser vivida.”

Fonte | Tradução: Maria – Equipe Ana de Armas Brasil

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Vanity Fair libera antiga entrevista de Ana de Armas
postado por Ana de Armas Brasil

Mais de dois anos depois, o site da revista Vanity Fair liberou uma entrevista realizada com Ana de Armas em meados de 2014. Leia o bate-papo e vejam as fotos que foram publicadas junto a matéria:

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Photoshoots > 2014 > Vanity Fair

Às vezes o mundo funciona, como dizia um anúncio de carros. E a biografia profissional de Ana de Armas (Cuba, 1988) avança com a mesma velocidade da melhor BMW. Essa jovem de rosto doce e com o olhar inquietante chegou a Los Angeles com a sorte ao seu lado. Em pouco mais de oito anos, deixou de ser uma adolescente cubana empenhada em ser atriz para começar contracenar com as estrelas mais importantes de Hollywood. Ana participou de Hands Of Stone, uma biografia sobre o boxeador panamenho Roberto Duran, ao lado de Robert de Niro, e do suspense Knock Knock, com Keanu Reeves.

Uma menina tão jovem pode sobreviver sobreviver a um sucesso tão brilhante?
Claro que pode. Embora eu tenha passado épocas muito difíceis e me sentido sozinha. Na verdade, eu vivo só. Se estou triste, se eu vou bem ou mais ou menos, se não tenho dinheiro, ou se perco alguém, eu mesma tenho que resolver.

Seus pais não puderam sair de Cuba?
Sim. Não é o problema de sair ou não, eu ainda vivo ali. Os momentos ruins me ajuda a ser realista. Como também a educação que eu recebi, a escola de teatro e todas essas coisas. No final você nunca pode esquecer de onde você vem.

O que você lembra da sua infância?
Meus pais eram universitários, muito trabalhadores e esforçados. Vivíamos sem luxos, com o básico, tínhamos o que comer diariamente e íamos à praia em alguns verões. Graças a honestidade de meus pais, sempre fui consciente, sabia o que podíamos ter e o que não podíamos. Eu e meu irmão saímos para rua e brincávamos como loucos. Eu vivia com os joelhos sangrando (risos). Tive muita liberdade.

De Armas sonhou em ser atriz aos 11 anos e aos 14 entrou para a Escola de Teatro de Havana. Seu início de carreira a preparou desde muito jovem para lidar com os perigos de sua profissão.

“Em meu primeiro filme [La rosa de Francia, de Manuel Gutierrez Aragón] eu tinha 16 anos e me apaixonei por várias pessoas. Agora nas gravações eu sei o que vai acontecer comigo. Mas agora estou ciente de que isso é uma bolha que me envolve por apenas 2 meses.”

De Armas não sabe falar apenas com a voz, mas também com as mãos. Toca a seus interlocutores com desenvoltura Caribenha. Parece frágil, mas ao mesmo tempo valente, ingênua e absolutamente decidida.

Você já teve uma relação sentimental com algum ator…
Não, eu com algum ator, não. Bom, não vá tão rápido. Você me verá que eu sempre acabo com um! Olha, eu lembro que um diretor, não me lembro seu nome, mas com quem tive uma relação mais próxima, teve alguém da sua equipe disse para sua esposa: “Você não se incomoda com a maneira que ele fala com Ana? Eles estão caminhando sozinhos”. E ela contestou: “Agora é a hora que você pode se apaixonar”. Quando eu ouvi isso, eu disse: “Meu Deus, você tem uma mulher perfeita, nunca a deixe”. Para o diretor amar seu filme, ele tem que se apaixonar pela equipe inteira.

Uma vez Keanu Reeves me disse: “Não podemos salvar vidar, mas nosso personagem pode comover tanto que pode se transformar em uma pessoa”. E eu creio que saiu daí essa necessidade de atuar. É como se fosse algo que surgisse junto com o nosso nascimento.

— E nasceu?
— Sim. — retruca — Se fico muito tempo sem atuar, fico triste.

Dizem que os melhores atores são muito tímidos.
É consequência dá profissão. Estamos tão expostos que, se nós sentimos que estamos sendo observados, nós recuamos. Mas não somos mais tímidos que outras pessoas em situações similares.

A verdade é que não. Ana não é nada tímida.

Era boa a escola de teatro em Havana?
Muito boa, sim. – disse quase em um sussurro, como se quisesse enfatizar sua opinião –.

Você viaja muito para cuba?
Menos do que eu gostaria, uma vez por ano, por meus pais e amigos.

E o regime cubano…?
Falar sobre essa situação é algo muito recorrente em muitas das conversas que eu tenho. É impossível defini-lo em poucas palavras. O que acontece na ilha, é bom e ruim… Tenho sim sentimentos perdidos. Eu amo meu país, minhas raízes, minha cultura e estou orgulhosa de ser cubana.

Sua brilhante trajetória profissional contrasta com os acidentes de sua vida sentimental. Mesmo sendo jovem, De Armas já se divorciou. Seu casamento com o ator Marc Clotet durou um pouco mais de um ano. No entanto, seu atual parceiro é o roteirista e diretor David Victori, mas seu companheiro mais fiel é Elvis, um pequeno peludo Maltês, com quem viaja por todas as partes. De Armas foi para Madrid sozinha, com um passaporte válido, por ser descendente de espanhóis por linha materna.

“Na minha casa eu sempre falava da Espanha e tinha um passaporte vermelho guardado em uma caixa.”

Nada mais a se fazer com sua maioridade, ela guardou todas suas economias e contra os desejos de sua família, que a aconselhavam a terminar a escola, Ana comprou uma passagem de avião.

E naquele momento, o dinheiro que eu tinha guardado era muito, porque eu já tinha feito três filmes enquanto eu estudava. Uma parte eu dei aos meus pais e a outra parte eu tinha guardado pra mim.

De quanto dinheiro estamos falando?
Duzentos euros!

E era muito dinheiro para você?
Para um comprar um par de botas (risos).

Botas, como as que ela usa durante a entrevista, um par pequenos até as canelas que deixam suas pernas mais longas e que cruza e descruza durante a conversa.

Como foi sua chegada a Madrid?
Não conhecia nada. Apenas uns amigos de amigos de outros amigos, que eu não conhecia, mas que me alojaram em sua casa.

Para ter assunto para conversar, De Armas assistiu todos os filmes de Almodóvar. Mas não precisou. Com a ajuda de seus representantes (que conheciam seus filmes cubanos), conseguiu um papel na série de TV El internado. Allianz contracenou com Martim Rivas, outra estrela com que protagoniza em sua estreia mais recente, Por um Punhado de Besos, de David Menkes.

Oito anos depois daquela famosa série, a hora de deixar sua vida entre Madrid e Barcelona, chegou. Ana teve que ir para Hollywood sem que tivesse tempo para ter visitado seus avós e primos.

“A maior parte dos atores vão para Los Angeles em busca de agentes e trabalhos. No meu foi ao contrário. O trabalho me levou para ali. O diretor Jonathan Jakubowicz buscava a mulher panamenha de Duran, ele me viu em um filme e entrou em contato com meu representante e perguntou se eu poderia ir para lá. “Claro que eu posso!!! Amanhã mesmo estou aí’.”

O Estados Unidos conheceu esse jovem diretor venezolano obcecado em fazer uma biografia sobre o lendário boxeador Roberto Duran, aliás “Mãos de Pedra”. É o encontro foi, um pouco, peculiar.

“Eu não havia cruzado o oceano apenas para conhece-lo, mas sim para fazer uma audição. Insisti tanto que eu fiz uma prova improvisada. Voltei para a Espanha e cinco meses mais tarde, quando eu achava que o filme tinha sido cancelado ou que haviam contratado outra, ele me chamou para realizar uma verdadeira audição junto com o ator principal. Fiquei dias fazendo testes em Los Angeles e na manhã que eu voltaria para a Espanha, Jonathan veio ao meu hotel e me disse:’Bem vinda à equipe'”

Um ano e meio depois, em Nova Iorque, conheci toda a equipe, incluindo Robert De Niro, John Turturro e Ellen Barkin, assim como ator espanhol Óscar Jaenada.

Trabalhar com estrelas não te intimida?
A princípio um pouco, quero atingir as expectativas. Mas quando gritam “ação”, somos todos iguais. Não julgamos uns aos outros. Suponhamos que cada um é mais adequado para representar seu papel.

Você acessa sites que falam sobre celebridades?
Sim, é difícil não acessar (risos).

Quem não trabalha para a ‘indústria’ em Los Angeles?

Apesar de seu ar de lolita, De Armas cresceu. Posa por horas sem queixar das indicações do fotógrafo. Se dispôs a ser maquiada, propõe alterações naturalmente, e responde a entrevista sem olhar no relógio. De longe, parece uma garota normal. De perto, o olhar dela intimida; e na tela, torna-se muito fotogênica.

Como conseguiu aquele papel no filme de Manuel Gutiérrez Aragón, Uma Rosa de Francia?
Estava estudando na escola de teatro e me disseram que ele estava na escola. Me apresentei no teste de elenco e na mesma hora Manuel disse: “Pare aí, não continue. O papel é seu”.

Simples assim, claro. Que pergunta boba.

Fonte | Tradução – Yasmim