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Arquivo de 'entrevista'



postado por Ana de Armas Brasil

Reinventando a Bond Girl. Ficando Loira como Marilyn Monroe. Como a estrela de Entre Facas e Segredos, Ana de Armas, está conquistando Hollywood.

Existe uma porta que separa celebridades de civis, nos deixando curiosos o suficiente para espiar pelo buraco da fechadura com uma ideia incompleta de fama. Aqui, por exemplo, é a versão do buraco da fechadura de Ana de Armas, a estrela de 31 anos do filme do ano passado, Entre Facas e Segredos: Ela dispara pela sala de jantar de Versalhes, o posto avançado de Culver City no famoso restaurante cubano de Miami, como se estivesse tentando economizar alguns segundos do seu tempo. É o dia antes do Golden Globes e ela acabou de sair de um tratamento facial, o que lembra um mordomo polindo talheres já reluzentes. De Armas foi nominada por seu papel como Marta Cabrera, a bússola moral do filme de mistério Entre Facas e Segredos, e embora ela não ganhe um prêmio, ela ganhará o tapete vermelho em um vestido Ralph & Russo azul marinho com lantejoulas. Enquanto as luzes piscam acima de nós ela sorri e diz “Assim como Cuba.” Oh, mas a luz de De Armas não mostra sinais de escurecimento.

Fim do buraco da fechadura.

“É impossível, não? Capturar uma pessoa inteira, entender a vida de outra pessoa sem contexto. Eu não vejo esse momento e estou no meio dele. Acho que nunca vou conseguir, e quando eu puder, isso já terá mudado.”

Nova, mas firme do outro lado da porta da fama, de Armas está em uma rara posição de abri-la, de ser franca sobre o que significa estar em destaque, de ter sua vida reduzida a um estereótipo, de estar cansada de Los Angeles (quando você ler isso, ela terá sumido). Apenas a alguns anos atrás ela passava sete horas do seu dia sentada em uma sala de aula, aprendendo a falar inglês, o que ela fez em quatro meses. Agora, ela é uma das multitarefas mais eficientes de Hollywood: Ela vai aparecer em Sem Tempo Para Morrer, o 25º filme de James Bond, em um papel concedido a ela por Cary Joji Fukunaga e escrito (a maior parte) por Phoebe Waller-Bridge; ela estrela no suspense erótico que será lançado, Deep Water, com Ben Affleck, dirigido por Adrian Lyne, assim como em Sergio, o drama politico da Netflix; ela voltará a suas raízes (quando Ana era uma criança, ela era loira) para se tornar Marilyn Monroe em Blonde. O fato de seu trabalho anterior ao lado de Ryan Gosling (Blade Runner 2049) e Keanu Reeves (duas vezes, Exposed e Knock Knock) já estar tão longe que sua página no IMDB é bastante surpreendente. Então, como ela chegou aqui?

Feijão, em partes.

“Eu estou tão empolgada com essa comida,” ela diz pegando um pedaço de pão do qual você poderia torcer manteiga, “o que é louco, porque eu acabei de voltar depois de dois meses em Cuba. Isso é meu combustível.”

De Armas tem uma casa em Havana, onde a maioria de seus amigos e familiares ainda vive. Dois minutos em sua companhia evocam imagens fáceis de uma Havana onírica. Ela passou o ano novo em uma “festa no telhado, na parte antiga de Havana, tocando música, dançando e bebendo.” Mas as coisas são mais complicadas do que parecem. Essa festa estava cheia de atores que ela admirava a muito tempo que “disseram o quão orgulhosos estavam e que agora eu era o exemplo para atores cubanos.” Ela chora ao contar. Seus pais nunca puderam comparecer a suas estreias no cinema. Eles assistem seus trabalhos “depois, com uma cópia de qualidade ruim ou algo do tipo.” No que deveria ser uma sátira, alguns conhecidos de Los Angeles chegaram ao ponto de dizer a ela que invejam a sua “desintoxicação digital” quando está em Cuba ou a diversão de “não saber o que você vai comer no café da manhã.” Quando o país for brevemente aberto durante o governo Obama, ela ouviu preocupações de que a Starbucks seria superada – “Os americanos reclamam de algo que existe, mas quando não o têm, também reclamam.” Considere a resposta dela para “O que você está vestindo?” o que deveria ser equivalente a como soletrar seu nome corretamente no SATs para uma celebridade:

“Eu não tenho nenhuma roupa.”

“Como?”

“Vim direto de Havana, então estou usando minhas roupas de avião. Minhas malas ficam cheias de roupas, remédios ou suprimentos – o que as pessoas precisam – e voltam vazias. Minha estilista me deu esse traje Saint Laurent para eu parecer legal. Eu não uso isso na vida real.”

Só para constar, ela tem roupas. Está tudo em Nova Orleans, onde ela está filmando Deep Water. E, para constar, Hollywood “não é a minha vida, é a minha realidade.”

“Eu tenho amigos ótimos e coisas incríveis tem acontecido comigo aqui, mas o estilo de vida e a exposição e as situações de negócios constante não é para mim. Eu gosto de falar sobre a vida e arte e bebês e animais. Atuar é o que eu amo fazer, mas eu não posso falar sobre essas coisas, pelo menos não o tempo todo.” Ou, para citar Marilyn Monroe: “É bom ter caviar mas não quando você tem em todas as refeições.” Feijão talvez. Mas não caviar.

Portanto de Armas está voltando para Havana por enquanto, meia hora de distância da cidade onde ela cresceu. Quando criança, ela não fugia para o centro da cidade porque “é algo preocupante quando não se tem transporte.” Em vez disso, ela e seus amigos entretinham a si mesmos e os vizinhos atuando, dançando e cantando (ela era Baby Spice em uma adorável banda cover amadora das Spice Girls. Mas não entendia a letra de “Wannabe” até ela ouvir no radio alguns anos atrás). Eventualmente, seus pais a matricularam na escola de teatro (“Eu pegava carona todas as manhãs, ficava ao lado do semáforo, onde os carros tem que parar de qualquer maneira, ia até a janela e dizia as pessoas para onde eu precisava ir.”) Mas os filmes americanos não eram um reflexo em seus olhos, principalmente porque ela não podia se ver neles.

“Eu via as casas e os aviões, todo o dinheiro e as pessoas roubando bancos e isso claramente não era real, exatamente como as princesas não eram reais. Foi fantasia. Os atores cubanos eram os que eu olhava, porque essa era a minha realidade: pessoas entrando em um barco ou gritando umas com as outras ou matando um porco.”

De Armas partiu para Madri aos 18 anos, o mais rápido que pôde legalmente, apenas porque deus avós maternos são espanhóis. Lá, as coisas se encaixaram rapidamente. Ela conseguiu um agente através de um filme que havia feito dois anos atrás e depois teve sorte e uma semana depois, um diretor de elenco ligou. De Armas estrelou em El Internado, que foi um grande sucesso, um pouco como Stranger Things. Somente depois que ela sentiu que havia superado isso de forma criativa (ela se sentia “sem inspiração” e ainda estava interpretando uma adolescente) é o porque ela veio para os Estados Unidos. Acho difícil imaginar que Hollywood não fosse onde ela deveria estar, vendo o quão bem ela é levada a isso e a ela. (Como Bobby Finger disse sobre De Armas no podcast semanal da Who?: É engraçado… quando alguém diz: ‘Esta mulher talentosa está prestes a estar em todo lugar’ e então você olha para eles e diz ‘Sim, sem duvidas’). Mas, como de Armas me lembra, contexto é a chave. A dela era uma das poucas famílias cubanas sem ninguém em Miami. A conversa era sempre sobre Espanha.

“As pessoas perguntam ‘Como você fez essa escolha ou aquela?’ Mas sempre teve apenas uma única escolha por vez. Eu nunca vi minha vida de duas formas diferentes, a forma que eu queria que fosse e o plano B. Sempre existiu apenas a forma que eu queria que fosse.”

Dá-se a sensação de que não há muito fora do alcance de Ana. Seu colega de elenco de Entre Facas e Segredos, Jamie Lee Curtis não fazia ideia de quem ela era quando se conheceram. Em uma cena diretamente de Nothing Hill, ela diz que “achava que Ana era esse pedaço de barro não moldado e eu perguntei a ela sobre seus objetivos como se eu estivesse falando com uma estudante universitária, aí eu mandei um e-mail para Steven Spielberg dizendo que o departamento de elenco dele deveria realmente pesquisar sobre essa mulher, como ela não tinha ao menos um agente.” Um ano depois, Curtis, está em uma melhor posição para avaliar a determinação de sua amiga: “Ela é notável. Ela será como Sophia Loren, uma daquelas raras sensações em todo o mundo. Ela tem essa profundidade requintada e é singularmente gentil e insanamente bonita, mas também é uma garota de Cuba, então há tenacidade, perseverança e ferocidade nela.”

Esta profundidade de caracterização estava ausente na descrição inicial da personagem de Ana em Entre Facas e Segredos. Marta se resumia a: “cuidadora latina e bonita” e De Armas quase não aceitou o papel.

Ela ressalta que os atores latinos ainda são frequentemente atacados com palavras como sensualidade e fogo.

“Ou então é ‘sexy com um temperamento’. E é quem nós somos. Não há nada de errado com isso, desde que não se resuma a apenas isso. É com isso que tenho um problema.”

“Você quer dizer que não acorda todas as manhãs, veste uma saia curta e começa a gritar com as pessoas?”

“Oh, bem, sim, faço isso até ficar exausta, então coloco uma cesta de frutas na cabeça e digo ‘Vá se foder’, e então eu dou uma pausa e depois faço de novo.”

Por maus que ela evite os esteriótipos em seu trabalho, ela acha que as vezes, isso foi útil nos bastidores, particularmente em uma pré #MeToo Hollywood. Ela credita seus pais por ensiná-la sobre homens e limites e como falar e se descreve como rápida e capaz de não dar a mínima. E enquanto ela se considera sortuda por ter trabalhado com seres humanos graciosos e adequados, ela admite que “a coisa cubana ajuda.”

“Como assim?”

Ela estreita os olhos, mexe o dedo em sentido de negação e faz um som “tsk-tsk” como se estivesse vendo um cachorro contemplar um mau comportamento.

Quando De Armas chegou a Los Angeles, ela “exigiu” que seus agentes a mandassem para audições, dizendo que ela não havia ido a Hollywood para se formar em inglês. Se já existe uma história associada a De Armas, é a seguinte: ela fez tudo foneticamente. No set de War Dogs; no qual ela interpreta a namorada de Miles Teller, o diretor Todd Phillips “mudou uma linha do diálogo e foi um desastre. No final ele falou tipo ‘Tudo bem, esqueça, apenas diga o que você tinha.’ Não é uma posição legal para se estar como uma atriz. Eu mal conseguia sustentar uma conversa.”

“A primeira vez que eu li a minha fala eu não fazia ideia do que ‘I beg your pardon’ era,” ela lembra, rindo, “Eu pensei que estava realmente com raiva, como ‘I beg your pardon!’ Como se eu fosse perdoar. E todas as outras pessoas na sala pensavam ‘Ela não faz ideia do que está dizendo agora’. Mas o fato é que eu sabia exatamente o que estava acontecendo na cena. Foi uma combinação louca de ‘Ela não faz ideia do que está fazendo’ e ‘Ela está fazendo’.”

Como todos os atores, novos e experientes, De Armas não tem nada além de adjetivos diplomáticos para deus projetos e figurinos, mãe ela fica radiante quando fala sobre Blonde, adaptado por Joyce Carol Oates a ficionalização de Norma Jeane Baker e dirigido por Andrew Dominik.

“Eu só tive que fazer uma audição para Marilyn e Andrew disse ‘É você’, mas ainda tive que fazer uma audição para todos os outros. Os produtores, o pessoal do dinheiro. Eu sempre tenho pessoas que preciso convencer. Mas eu sabia que poderia fazer isso. Interpretar Marilyn foi inovador. Uma cubana interpretando Marilyn Monroe. Eu queria tanto isso.”

Antes do roteiro chegar até Ana, seu conhecimento sobre Marilyn era limitado a alguns papéis e fotos icônicas, mas agora ela se tornou uma fã de carteirinha. Até seu cachorro, Elvis, interpreta o cachorro de Monroe no filme. (“O nome dele era Mafia. Sinatra o deu a Marilyn, obviamente.”) Ela também se identifica com Monroe de uma maneira mais profunda: “Você vê aquela foto famosa e ela está sorrindo no momento, mas isso é apenas uma fatia do que ela estava realmente enfrentando naquele tempo.”

“Nunca trabalhei tão perto de um diretor do que com Andrew. Sim, eu tive relações de colaboração, mas nunca para receber telefonemas à meia-noite, porque ele tem uma ideia e ele não consegue dormir e, de repente, você não consegue dormir pelo mesmo motivo.”

“Lembro-me de quando ela me mostrou um vídeo de seus testes de tela para Blonde,” diz Curtis, cujo pai estrelou com Monroe em Some Like It Hot. “Eu cai no chão. Eu mal podia acreditar. Ana tinha sumido completamente. Ela era Marilyn.”

Depois de meses de imersão no trabalho de preparação, parecia que nada podia afastá-la de seu caso de amor com Marilyn. Mas quem de nós nunca teve a cabeça virada por James Bond?

O diretor de Sem Tempo Para Morrer, Cary Joji Fukunaga, quem tem sido fã de De Armas por anos, escreveu o papel de Paloma especificamente para Ana, adicionando uma camada de humor para a personagem que eu ainda não havia visto ela fazer ainda – o que eu pensei que poderia ser divertido.

Ele é rápido em oferecer adjetivos que representam o apelo de De Armas (confiança, humor, atitude), mas no final do dia, “é intangível. As pessoas tem a qualidade mágica que você quer assistir ou elas não tem. Ela tem. Se você pudesse contar, você provavelmente conseguiria vender.”

Apesar do convite feito sob medida para o mundo de 007, De Armas queria ter certeza que não estava fazendo Bond pela vontade de Bond.

“Obviamente, eu estava pulando por todos os lugares e muito animada. Mas eu precisava ter certeza de que isso não colocaria em risco todo o trabalho que eu estava me empenhando, que isso não arruinaria tudo. E as mulheres Bond sempre foram, pelo menos para mim, pouco confiáveis.”

Suas preocupações eram válidas. Além dos rumores de cadeias musicais para roteiristas e contratempos no set – como o The Independent disse: “Houve uma produção mais difícil do que Sem Tempo Para Morrer?” – este é o primeiro filme de Bond da era Time’s Up. No entanto, não é a primeira vez que a franquia tenta abordar o sexismo. Historicamente, esse esforço ocorre na forma de dar as Bond Girls graus e nomes de personagens absurdamente rarefeitos, que existem para apoiar um único trocadilho. Veja: “Eu pensei que o Natal chegasse apenas uma vez por ano. Bond Girl pode ser tão redutora quanto ‘cuidadora latina e bonita’.”

“Eu nem as chamo de Bond Girls,” diz Daniel Graig. “Eu não vou negar isso para ninguém. É só que eu não consigo ter uma conversa sensível com alguém se estamos falando de ‘Bond Girls.’’

Craig foi ficou impressionado com o desempenho de Ana em Blade Runner 2049, então sua reação ao fato de ela ser escolhida para trabalhar ao seu lado em Entre Facas e Segredos foi igualmente entusiasmada.

“Eu deveria ser sempre sortudo de trabalhar com uma mulher como ela. Esse é um filme que tem um monte de merda acontecendo, muita atuação, eu incluso, mas ela brilha porque esse é o seu negócio. Ela tem um timing cômico e nós nem estamos oferecendo a ela a grande parte. Mas ela chegou e quebrou tudo. Os roteiros estavam sendo rescritos, você está mudando coisas o tempo todo ou jogando tudo nela, mas ela não está incomodada com isso.”

“Você também consegue dizer que Phoebe estava lá,” diz De Armas. “Existia aquele humor tão específico dela. Minha personagem parece que é uma mulher de verdade. Mas você sabe, podemos evoluir, crescer e incorporar a realidade. Mas Bond é uma fantasia. No final você não pode tirar coisas de onde eles vivem.”

“Não havia outra escolha,” explica a produtora de longa data de Bond, Barbara Broccoli. “Era Ana que todos nós queríamos.”

Entre Barbara e seu pai, o lendário “Cubby” Broccoli, eles têm produzido 25 filmes Bond. Sua música de preensão é “Diamonds Are Forever”, de Shirley Bassey.

“A personagem dela é alguém que acabou de começar a trabalhar para a CIA, e ela deveria ter um treinamento mínimo para conhecer Bond. A expectativa é que ela não seja a agente mais eficiente, mas digamos que ela realmente consegue dar soco bem dado.”

Por mais nova no ramo que De Armas é, seria um erro pensar que ela é um bebê nesse cenário de Hollywood. Essa é uma suposição que ela mesma faz e depois volta para trás, às vezes batendo no acelerador da estrela de cinema mais experiente e às vezes no freio da vulnerabilidade. “Sou como um peixe fora d’água”. A versão geral dela é menos parecida com sua personagem no início de Entre Facas E Segredos e mais parecida com ela no último shot do filme – a mulher de bom coração que foi arrastada para um jogo que ela não queria jogar mas ainda assim ganhou.

Quando as luzes piscam novamente no restaurante e os garçons cantam parabéns para uma mesa vizinha, ela decide, “Ah, então não é como Cuba, que pena.” Ela quer participar dessa entrevista da mesma maneira que, quando sugere que tomemos uma bebida, ela pede um daiquiri porque um mojito é “Hemingway demais, óbvio demais.” Quando chegou em LÁ, conheceu a produtora Colleen Camp enquanto estava com seu agente na garagem da CAA. Camp então a apresentou a Broccoli, o que a levou a Sem Tempo Para Morrer. É verdade que o sucesso de De Armas, em partes iguais de arte e necessidade, foi alcançado através do tipo de determinação que poucos em sua posição conseguiram com tanta honestidade.

“As pessoas perguntam: ‘Como você aprendeu inglês tão rápido?’ E eu respondo, ‘Porque minha vida dependia disso.’”

“Gosto de falar sobre vida e arte, bebês e animais de estimação. Atuar é o que eu amo fazer, mas não posso falar sobre essas coisas, pelo menos não o tempo todo.”

Mas não pode ser verdade que ela não está sozinha, que as máquinas da indústria tentam posicioná-la como a próxima Penélope Cruz desde War Dogs? Não pode ser verdade também que ela está entrincheirada em Caviar Town, EUA? Ela era uma estrela da Weinstein Company pré-implosão, estrelando em Hands of Stone em 2016. No início de sua vida em Los Angeles, ela estava em um relacionamento sério com o agente Franklin Latt, herdeiro de Kevin Huvane na CAA. À medida que o reconhecimento do seu nome se espalhou ela não se tornou estranha para os paparazzi ou fofocas sobre namorar – os fundamentos da visibilidade americana. Talvez, tão perto do outro lado da porta da fama, essas realidade possam parecer passíveis a serem discutidas.

Nós não citamos nomes, mas sobre sua vida pessoal, ela diz, sucintamente: “Eu tive companhia aqui, mas tem sido a companhia errada, então prefiro ficar sozinha.”

“Para todos aqueles que ficam se questionando como eu consegui fazer isso ou aquilo, vão se foder. Eles não vão passar o Ano Novo comigo. Eles não são as pessoas cujas opiniões me interessam. Eles não são as pessoas das quais eu divido a minha felicidade. Eu nunca tive uma agenda. Tudo o que eu quero fazer é trabalhar. Tudo o que eu quero fazer é conseguir algo desafiador para provar a mim mesma que eu sou capaz.”

Nós dois estamos cheios de feijão. E rum. Do lado de fora, o céu ficou laranja, talvez um cenário mais digno para um telhado em Havana do que o meio do Boulevard de Veneza. As luzes do restaurante piscam pela quarta vez e concordamos silenciosamente que está na hora de ir. Não importa o que aconteça na premiação amanhã à noite, De Armas sabe que ela se lembrará dela como uma noite maravilhosa durante esse momento que talvez, que irá, continuar mudando. Enquanto nos dirigimos para a porta, ela joga uma bolsa YSL de camurça com estampa de leopardo por cima do ombro. Eu a paro.

“Uau, seu estilista realmente se empenhou.”

“Não, não,” ela sorri “Essa é minha.” Eu digo a ela que me preocuparia em destruí-la. “Oh, você não deveria,” ela diz, saindo pelo lugar que ela entrou “A vida é pra ser vivida.”

Fonte | Tradução: Maria – Equipe Ana de Armas Brasil

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Ana fala sobre o movimento #MeToo, sua vida em Cuba e mais em entrevista à GQ México
postado por Ana de Armas Brasil

DEUSA! Ana de Armas é a capa do mês de abril da GQ México, e além de um ensaio maravilhoso, a atriz concedeu uma entrevista para a revista. Leia e confiram as fotos:

Atravessar o Paseo del Prado e a Avenida del Puerto é um dos pontos-chave de Havana. Quando chego lá, o tempo praticamente pára. Em frente, o icônico Capitólio, que se ergue entre edifícios antigos para se estabelecer como o coração da capital cubana.

À esquerda, a baía, com suas dezenas de cruzeiros que chegam todos os dias carregados de turistas ávidos por rum, tabaco e festa. Atrás, o mar, a vários quilômetros de distância, se funde com as águas da Flórida. E à direita, o famoso Malecón, lotado todas as tardes por moradores e visitantes, que chegam a este ponto para admirar o pôr do sol enquanto os sons emanam de um bar, uma casa ou qualquer carro que passa da Havana Velha ao bairro do Vedado. Visto desta forma, as razões pelas quais Ana de Armas considera essa parte como seu lugar favorito em sua cidade natal são bem compreendidas. “Meu lugar favorito em Cuba é Havana, e meu canto favorito da capital é o Malecón”, ela me conta entre risadas e com uma óbvia nostalgia em sua voz. O anseio está aumentando quando pergunto como foi crescer na ilha. “Eu tive uma infância muito divertida, espontânea, real e livre; mas também muito alerta do que estava acontecendo ao meu redor. Quando criança, você está ciente das situações políticas e sociais que ocorrem no país e no resto do mundo”, ela diz. “Cuba ainda é minha casa. Não importa quantos anos eu esteja fora, o quão ocupada estou, o pouco que consigo me comunicar com minha família ou amigos sempre será minha casa.”

O que você mais sente falta, além da família?
A comida (risos).

Ropa Vieja e Moros y cristianos? [Pratos típicos de Cuba]
Exatamente (risos). Devo confessar que às vezes preparo feijão preto, mas sinto falta do tempero e todo o ritual em torno da cozinha. Você vai para a casa de um amigo, joga dominó, enquanto prepara a comida, bebe uma cerveja e coloca alguns discos de salsa para animar a noite.

Nascida em 30 de abril de 1988, Ana diz que foi justamente todo o contexto em que sua infância foi passada que desencadeou seu amor pelo cinema e, mais tarde, seu desejo de se dedicar à atuação.

“Desde que eu era criança, participei de projetos de vizinhança, fizemos canto e dança. Aos 13 anos, comecei a contar aos meus pais que queria ser atriz. Assistimos a muitos filmes em casa. Lembro-me de ver cenas e depois correr para o espelho para repeti-las.”

Que filmes você reinterpretou? Alguém em particular marcou você?
Eu lembro de atuar muitas sequências do Titanic (risos). Especialmente aquele em que Jack está morrendo e ela não pode gritar porque sua voz está sufocada pelo frio. ‘Jack, Jack’… Sim, repeti isso várias vezes. Que vergonha! (e ela solta uma risada).

Não se preocupe, todos nós refizemos cenas de Titanic em algum momento de nossas vidas…
Sim, não é verdade?! Então não vou mais sentir vergonha.

Assim que alcançou a maioridade, Ana decidiu recolher todas as suas economias e comprar uma passagem para a Espanha, com um objetivo em mente: realizar seu sonho. Nos primeiros anos houve um estágio complicado para a garota cubana, cheia de desafios. No entanto, sua primeira oportunidade não demorou a chegar. Una rosa de Francia (2006), de Manuel Gutiérrez Aragón, foi seu primeiro filme, seguido de alguns projetos para a televisão. Ela foi Carolina Leal Solís, seu papel na bem-sucedida série El internado (2007), que lhe valeu reconhecimento público e popularização além das fronteiras do mediterrâneo. Ao contrário da longa provação que muitos atores tiveram que lutar para conseguir um lugar em Hollywood, de repente e inesperadamente, Ana já estava pronta para conquista-los quando foi contratada por Eli Roth para interpretar uma das duas mulheres sexy que se tornaram o pior pesadelo de Keanu Reeves no filme Knock Knock.

Na carreira de ator, quanto do sucesso é devido à sorte e quanto ao talento?
Eu acho que há sorte na vida. Todos nós temos mais e outros menos. Mas você também tem que cooperar um pouco (risos). Se você realmente quer algo, você deve persegui-lo e ser pró-ativo para chegar lá. Você tem que trabalhar duro e fazer um esforço. Como dizemos em Cuba, as coisas não caem do mato.

Após esta entrada triunfal no cinema, as portas se abriram para a cubana. Exposed (2016), Hands Of Stone (2016), War Dogs (2016) e Overdrive (2017), foram seus projetos seguintes, em alguns destes, teve a oportunidade de trabalhar com atores como Edgar Ramírez, Mira Sorvino, Scott Eastwood e o magnífico Robert De Niro. O começo dessa ótima caminhada veio com a megaprodução de Denis Villeneuve, Blade Runner 2049, continuação de um dos filmes mais icônicos da década de 80.

Na sequência, Ana interpretou Joi, o interesse romântico (e guia espiritual) de K, o personagem de Ryan Gosling. “Todos os envolvidos na produção estavam nervosos porque queríamos estar à altura do primeiro filme. Para mim foi tudo um reto, desde a audição para dar a vida a um papel tão completo fisicamente. Alias, foi a primeira vez em que me envolvi em uma gravação tão extensa. As gravações duraram cinco meses e exigiram de mim um grande trabalho emocional e psicológico. Sabia que era um filme muito grande e isso sempre nos deixa com medo”.

Em algum momento você se sentiu intimidada por estas grandes estrelas de Hollywood com quem você já trabalhou?
Sim. Foram momentos curtos, até mesmo minutos. É algo inevitável, porque trabalhar com essa grandes ícones tem sido um sonho que se tornou realidade. Tem sido sorte de contracenar com pessoas que são mais artistas do que ego e isso me ajudou muito, porque nos instantes de insegurança tenho que ficar mais focada em meu trabalho. Isso me faz sentir igual a eles e isso ajuda.

Com um exército de milhões de seguidores no Instagram e Twitter (Ana_d_Armas) nas costas, este ano a cubana traz embaixo do braço um novo projeto. Trata-se do longa metragem “Three Seconds”, que está nas ordens de Andréa Dia Stefano (Escobar: El paraíso perdido, 2014), e onde compartilhará cartaz com Joel Kinnaman e Rosamund Pike. No filme, ela estará no papel de Sofía, uma mulher forte e poderosa, uma mãe de família que sempre protege seus filhos sem se importar com as consequências.

“Com Joel tenho uma parceria poderosa. Uma espécie de Bonnie e Clyde, juntos até que a morte os separe”, revela. E já que falamos de mulheres valentes, De Armas está convencida de que é necessário que as atrizes sigam criando a voz e que Hollywood abram as portas necessárias para terem mais representação feminina em grandes filmes, pois “como atriz, chega um momento em que quer crescer e fazer outras coisas, contas histórias diferentes. Ainda tem muito a se fazer, é um tema que ainda está em estado de letargia”.

Qual é sua postura em relação ao movimento #MeToo? Você apoia as mulheres que estão falando para denunciarem os abusos?
Eu estou com as mulheres que têm falado e também com aquelas que ainda não falaram. Como mulher, defendo o direito de contar ou não algo tão íntimo e horrível. Alias, nem todas reagimos da mesma maneira, cada uma reage de uma forma. Nem todas vamos à manifestações, nem todas temos a capacidade de tornamos líderes de um movimento; mas temos outros modos de fazer este trabalho social, começando pela educação e pela família.

Fonte | Tradução – Equipe ADABR e Yasmim

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“Foi um bom exercício para o meu ego”, Ana fala sobre sua mudança para os Estados Unidos em entrevista à W Magazine
postado por Ana de Armas Brasil

Em 2017, muitos públicos ficaram animados para sequências. Mas quando a sequência é lançada há quase quatro décadas depois da original, isso acaba se tornando um clássico culto, bem, isso é interessante para se falar sobre.

Um grande caso é Blade Runner 2019, que estreia nessa sexta-feira, 35 anos depois do primeiro filme ser lançado. E possivelmente ninguém está mais animado do que Ana de Armas, a atriz cubana de 29 anos de idade, que interpreta a protagonista feminina do filme. “É mágico o que você vê na tela”, ela diz. “É futurístico, um suspense com ação, mas então, na outra mão, você tem o personagem do [diretor] Denis Villeneuve. A intimidade desses personagens é uma bonita combinação e é relevante para o filme. É realmente especial”.

No filme, Ana interpreta Joi, o par romântico do agente K, interpretado por Ryan Gosling, uma parte completa que funciona como o coração do filme – e a atriz admite que originalmente não estava no projeto. “No início, tudo o que eu ouvi [de meus empresários] foi: ‘Tem uma audição, nós vamos encaixá-la e você a fará agora’. Então ‘encaixá-la’ significa que eu não estava na lista”, ela diz com uma risada. “Mas eu estou grata que eles me encaixaram”.

A atriz não é estranha para a arte de bons encaixes. Crescendo em Havana, de Armas descobriu sua paixão por atuação muito jovem e rapidamente desencadeou sua carreira para essa área. “Não teve um dia específico ou algum ator inspirador. Nada assim. Mas eu lembro que eu assistiria a filmes e se tivesse uma cena que eu gostasse, eu corria do sofá para um espelho e repetia as falas diversas vezes. Eu ficava muito emocional.”, Ela relembra. “Quando eu tinha 12 anos, eu fiquei sabendo sobre a Escola Nacional de Teatro e disse para meus pais: ‘Isso é o que eu quero fazer”, e assim foi”.

Depois de se formar na Escola Nacional de Teatro de Cuba, de Armas ficou em Cuba durante alguns anos, atuando em filmes locais, antes de decidir se mudar para Madrid em busca de perseguir sua carreira artística. “Eu sentia que eu queria mais”, ela disse. “Eu sempre fui muito ambiciosa, e eu sempre soube que eu queria algo a mais. Cuba foi um bom início, mas eu sabia que eu não desenvolveria uma carreira real e eu queria ficar perto de cineastas que eu gostaria de trabalhar. Eu me mudei para Madrid com 200 euros na minha carteira e desesperada para saber o que iria acontecer. Claro, eu não sabia que 200 euros eram nada, porque eem Cuba, 200 euros era muito e foi o dinheiro que eu guardei dos meus filmes.”

Nas primeiras semanas, de Armas conseguiu um papel em uma nova série d tv chamada ‘El Internado’, que foi um grande sucesso, a tornando um nome conhecido na Espanha. Mas, mais uma vez, ela sentia que precisava de mais. “Era muito excitante, mas eu cheguei ao ponto em que pensei: ‘Eu quero mais que isso”, ela disse. “Eu queria algo desafiador”.

De Armas foi escalada em seu primeiro filme de Hollywood, o drama esportivo ‘Hands of Stone’, em 2016 e oficialmente se mudou para Los Angeles, mesmo não conhecendo nenhuma pessoa – e nem inglês. “Eu fui para aulas durante três ou quatro meses, eu não conseguia fazer nada”, ela disse. “Foi um bom exercício para o meu ego depois de oito anos na Espanha com uma ótima carreira. Quando você se muda para os Estados Unidos, qualquer coisa que você já tenha feito, não conta. Foi refrescante, para ser honesta. Quando você faz uma série de TV, sua vida realmente muda e todo mundo te conhece e sabe para onde você vai. Vir para cá [EUA] e ficar em uma sala de aula, onde todo mundo está aprendendo a usar passado simples foi ótimo. Eu ficava com meu caderno fazendo anotações e lições de casa”.

Depois de meses intensos e aulas integrais, Ana sentiu-se pronta para ir à audições – com nenhuma estipulação. “Eu disse [para minha equipe]: ‘Eu não quero audição para Maria ou Joana. Eu quero auditar para qualquer coisa que esteja fazendo audições’. Eu não queria qualquer papel. Eu me considero uma atriz. É estranho quando as pessoas dizem: ‘Você é uma atriz cubana’ ou ‘Você é uma atriz espanhola’. Eles colocam uma coisa em frente do que você é, mas eu sou somente uma atriz. Eu verei o que eu posso fazer, mas não me coloque em um lugar que você não sabe ainda. Não opine meu trabalho se você ainda não o viu. Eu apenas queria uma chance. Eu queria saber que eu estava correndo atrás dos mesmos objetivos que outras atrizes que eu amo e admiro corriam. Todo mundo merece a oportunidade de brigar por aquilo que almejam.”

Com Blade Runner 2049, Armas atuou apenas ao lado de Gosling, Harrison Ford e Jared Leto, depois de severas audições com o diretor Villeneuve. “Eu fiquei muito confortável com Denis”, ela disse. ” Ele é muito doce, uma ótima pessoa. Ele ama os atores porque ele entende o quão difícil é ser um ator. Com todos os meus nervos. Eu nunca semi que meu talento ou capacidade de performance fosse uma questão. Ele [diretor] estava procurando a pessoa certa para o trabalho.”

A audição dela com Gosling, no entanto, foi outra história. “Eu estava ficando louca, tipo, sério? A última coisa que eu preciso é conhecer Ryan Gosling hoje”, ela lembra. “Mas ele foi tão legal. Nos demos muito bem no set. Algumas falas nós nem conseguíamos terminar porque estávamos rindo”.

O elenco gravou o filme em Budapeste, em cinco meses, que acarretou em Ana treinando treinos físicos.”Não foi um papel físico, mas eu sabia que nos teríamos cinco meses cheios de intensidade, cenas emocionais, e eu queria me sentir forte, saudável e ter uma disciplina e rotina”, ela diz. “Isso foi algo mais pessoal do que algo que o personagem realmente necessitaria”.

Com o papel, Ana de Armas traz uma enorme ligação de humanidade e emoção para o filme. “Denis queria que ela [Joi] fosse muito real, muito emocional e muito vulnerável”, ela disse. “Nós queremos que o público esqueça o óbvio. Devido a isso, você tem que ver todas as coisas que te faz humano, como paixão e amor”.

Quanto ao filme em si, cujo o enredo foi mantido em segredo até a grande estréia na sexta-feira? Aqui está o que você precisa saber: é visualmente lindo, completamente imersivo e fez Ana de Armas chorar. “Eu tive que tirar 25 minutos depois que eu o assisti, com uma caixa de Kleenex, apenas absorvendo.”

Fonte | Tradução – Yasmim

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“Los Angeles é uma cidade surrealista e superficial”, Ana fala sobre sua carreira mais em entrevista à Mujer Hoy
postado por Ana de Armas Brasil

Confiram os scans, photoshoot e entrevista completa de Ana de Armas para a revista Mujer Hoy:

É o único rosto feminino no elenco do cartel de Blade Runner 2049. Uma imagem que fala mais que mil palavras sobre o que poderia ser sua nova posição em Hollywood: entre Ryan Gosling e Harrison Ford. Ambiciosa, disciplinada, sensível e rigorosa, os traços físicos e personalidade dessa atriz hispano-cubana a converte em uma pessoa única de sua espécie. Uma interprete sem medo dos riscos, que está a ponto de comprar mais uma etapa de sua carreira com esse filme.

Nada da planta do Hotel Arts lembra a asfixiante e tenebrosa atmosfera de Blade Runner. Do outro lado da janela de vidro, é o Horizon transparente: o porto Olímpico, o Mediterrâneo, o céu azul. Tudo brilha, mas também, lembra muito o século XX. Como um poster de Barcelona em 1992. O ano de Cobi. O ano em que esse hotel foi inaugurado. O ano do luxo que sonhamos (e que se tornou realidade).

O primeiro Blade Runner estreou em 1982 e foi um fracasso de bilheteria por causa de E.T., mas os anos o converteram um em fenômeno oculto. A história dos robôs – idênticos aos humanos – angustiados por sua data de validade em um hipotético 2019, mas nós já chegamos em 2017 e os carros não voam e nem os androides ficaram imortais. Continuamos sendo os mais preparados e angustiados da Terra. Um breve alívio.

No saguão 42, a imprensa internacional foi convocada para a apresentação das três apostas da Sony para essa temporada: Jumanji 2, o novo Homem-Aranha e Blade Runner 2049. Três sequências que evidenciam o medo da indústria por lançar no mercado um produto de uma marca já conhecida. Os roteiristas não ficam sem novas idéias (até mesmo para a tv) e Hollywood confia no Terror como as famílias confiam no domingo para sobreviver. Porém, Blade Runner 2049 chega aos cinemas em 6 de outubro buscando outro tipo de público: aquele que traz consigo o prestígio de cinéfilo, a ficção científica filosófica, a nostalgia e mais uma vez, a distopia apocalíptica que esse gênero (tão próprio na era Trump) nos avisa que o novo futuro pode se tornar um pesadelo.

Nós sabemos muito pouco sobre Blade Runner 20149. Nós sabemos que o protagonista dessa nova história também é um blade runner (um caçador de replicantes) chamado K e interpretado por Ryan Gosling; no filme também aparece Harrison Ford (em sua ano de repescagem: pilotou o Halcón Milenario e acaba de anunciar que também voltará com Indiana Jones). Harrison Ford encarnará o novo solitário e sentimental Rick Deckard, seu velho personagem, que fica 30 anos desaparecido e a pessoa que K tem que encontrar, porque, por algum motivo, é a chave para a sobrevivência da humanidade.

O vilão do filme, o criador de replicantes, é Jared Leto (um papel que o genial diretor Denis Villeneuve, queria para David Bowie); e também sabemos que Joi, a personagem interpretada pela atriz cubana-espanhola, é o interesse amoroso do protagonista. Explicamos quem: Ana de Armas. “Joi é muito completa, muito forte, passional é muito real. Desde sempre foi muito importante na vida de K. É sua amiga, sua amante, seu apoio e quem o anima a fazer o que ele tem que fazer, isso você sabe é o resto eu não posso falar”. [Risos] Por que essa insistência em dizer que Joi é real? Ela é uma replicante?, Pergunto-lhe. “Você sabe que eu não posso responder, mas eu adoraria”. Aos seus 29 anos, Ana de Armas faz parte de um filme que, mesmo decepcionando, será parte da história do cinema. Aliás, é a primeira mulher que aparece no elenco (feito por Robin Wright) e a única a promover o filme.

Uma cubana em Hollywood

Como você fez isso? São fatos, claro, conte uma versão resumida: “Fiz três audições em poucos dias. Meus agentes conseguiram me colocar lá, depois de muita insistência. Tive química com Ryan. Eles gostaram”. É isso que ela conta durante a mesa redonda com vários jornalistas estrangeiros no saguão 44, com seu vestido Altuzarra rosa, seu rosto angelical, cabelo californiano e seu inglês quase sem sotaque. Sempre repetia com mais insistência a frase “você sabe”. Então, assim que ela sai da sala, um jornalista britânico diz com certa exasperação: “Meu Deus, quantas vezes essa menina é capaz de dizer ‘Você sabe’?”. E alguns riam achando graça. Flutua no ar um certo descontentamento. Eles a estão subestimando, mas porque? Por ser jovem, por ser cubana, por ser sincera, por ser mulher ou por ser muito bonita?

Ana de Armas tem 29 anos, está apenas há três anos em Los Angeles e já conseguiu ser eleita pela revista Variety como uma das 10 atrizes jovens em ascensão. Aliás, ela tem agentes muito bons, compartilha a mesma estilista com Meryl Streep y Lupita Nyong’oMichaela Erlanger – e está nas festas com os elencos que importam. Outros pontos ao seu favor? Ela já está longe de seu país desde os 18 anos, por isso não carrega lealdades incomodas (nada de namorado, nada de família e nem representantes), conserva a disciplina da escola cubana onde se formou, e tem uns tacos que se encaixam no paradigma de beleza atual: européia e latina, ao mesmo tempo, etnicamente ambígua, com seus olhos enormes de cores dourados, que nos lembra proporções de mangas japoneses. No entanto, sua história pessoal é interessante, ela é a única atriz nascida em Cuba de Castro que chegou a trabalhar em Hollywood. Agora só o que falta… É tomar as decisões adequadas. Ela é consciente. Não quer dar um passo em falso.

Após a intensa gravação em Budapeste (os cinco meses de Blade Runner 2049, em cenários reais construídos para o filme, sem cenas com croma) leva um tempo para deixar o impasse que a deixa nervosa. “Rejeitar as propostas que chegam para mim tem sido as decisões mais difíceis de minha vida. Tenho medo de responder: “Não, não estou trabalhando em nada agora mesmo” quando me perguntam sobre meus projetos. Ainda não encontrei um material que me convença, eu não quero comprometer minha carreira por causa das expectativas de outras pessoas”. Isso foi dito em julho, quando fizemos a entrevista, mas sem algum dias que publicamos as primeiras fotos da atriz na gravação do suspense sueco ‘Three Seconds’, onde compartilha protagonismo com Rosamund Pike (Garota Exemplar).

“Hollywood é um mercado competitivo e selvagem. E, Los Angeles, é uma cidade surrealista e superficial, onde todo mundo busca a mesma coisa e se relacionam buscando algo que possa dar certo. Às vezes é cansativo e já tive momentos em que pensei: “O que eu tenho que as demais não têm?”, Ou ,”Como uma americana faria esse papel?”. Porém, eu aprendi a não me julgar. E tenho me dado conta de que meu ponto forte é, sinceramente, que não existe outra atriz e nem outra pessoa como eu. Que a minha versão é apenas mim. Que tenho que procurar seguindo sendo autêntica e não ter medo de oferecer a minha própria versão do personagem.”

Às vezes, suas colegas espanholas lhe pedem concelhos para cruzar o rio, mas ela diz, que nunca passa de um plano. “O que eu digo é: faça o que queres fazer, faça isso. Porque outro país virá, outra cultura virá, outro amor virá… Mas nada disso acontecerá se não se mover”.

Permissão para cometer erros

É uma mulher de ação, “Agradeço aos meus pais, que, sem saberem, me deram grandes conselhos, me ensinaram a não pedir permissão e nem esperar a aprovação de nada, nem sequer as deles. Sempre confiaram no meu sentido comum e me deixaram tomar minhas próprias decisões. Me deram espaço para errar e poder escolher sem precisar de opiniões. Por isso que confio em mim mesma e na minha intuição”.

Durante sua infância, viveu o rigoroso Período Especial (a crise econômica profunda e de abastecimento que Cuba sofreu por causa do colapso da União Soviética): “Tínhamos luz. Comíamos ovo frito, arroz e, de vez em quando, galinhas”. Ela reconhece que sua família não tinha uma situação ruim, como já havia dito. “Meu pai já trabalhou em tudo o que você pode imaginar, desde vice-prefeito de uma cidade, a gerente de banco, passando por professor, diretor de escola… E minha mãe sempre se dedicou aos recursos humanos. São pessoas muito preparadas e muito cultas, mas pouco falantes. O que eles querem dizer, eles demonstram com os olhos”.

Ana tem um irmão fotógrafo que também está vivendo em Los Angeles e acaba de se mudar para Nova Iorque. “Eu vou sentir falta dele, mas ali é onde estão os melhores de sua profissão e tenho que deixá-lo crescer”. Ama seus pais, mas quando vai para La Habana prefere, fica na casa de uma amiga que teve um bebê. “Sou sua madrinha”. Afinal, ela passou toda vida decidindo onde quer estar.

Quando tinha 14 anos, se apresentou aos testes da Escola Nacional de Teatro e praticamente desde então, tem uma vida independente: “Minha formação foi muito rigorosa. Depois de um teste, eles auditaram cerca de 600 crianças de toda Cuba, nós só tínhamos 12 anos e era inevitável levar a sério. A educação era grátis, mas se não fosse aprovado em um semestre, eles te expulsavam. Ensaiávamos sozinhos, assim que desde os 14 anos aprendemos o que significa ser ator: ter respeito, ser pontual, o que é trabalho em equipe, fazer seu próprio cenário, porque todos nós tínhamos que fazer nossas casas a construindo com madeiras, pregos e martelos. Aprendi com Lorca a fazer uma cadeira. Aquela escola me ensinou ser quem eu sou como pessoa e como profissional”.

Jogar o jogo

Aos 16 anos, protagonizou seu primeiro filme, ‘Una Rosa de Francia’, de Manuel Gutiérrez Aragón; com 18 anos, veio Espanha e em uma semana conseguiu um papel protagonista em uma das séries adolescentes mais importantes do final dos anos 2000, ‘El internado’, que foi um fenômeno de fãs. Durante a sessão de fotos para Mujer Hoy – maquiada, vestida de Loewe, transformada, imponente, mas sem perder a áurea de sua fragilidade –, lhe pergunto o quanto pesa a beleza na carreira de uma atriz. “Ultimamente, muito. Porque parece que tudo se resume sobre o quão bonita você é, o quão bela sai em uma foto, o quão bela está no Instagram. Tudo é aparência…”.

“Quando fazia teatro, o trabalho era tão artesanal é tão cru, que isso era o de menos. Desde cedo, a professora sempre insistia: “Quantos feia, melhor. Chore até sair pelo nariz, porque um personagem tem três dimensões e você tem que saber todas as caras possíveis”. Não tenho medo de tomar cuidado, mas, curiosamente, durante esses anos nos Estados Unidos, duas ou três filmes acabaram me recusando porque eu era bonita demais para o papel. Isso me doeu muto, porque eram projetos incríveis que eu queria trabalhar. Às vezes parece que ser bonita serve apenas se você quer fazer uma princesa da Disney, mas se você quer outros tipos de papéis, não”. Eu insisto de que beleza abre portas. “Eu não digo que ser bonita não abre portas, mas sim que às vezes algumas não se abrem”.

Em Havana, sua escola de teatro montou “La Casa de Bernarda Alba”, ela era, claro, Adela, com vestido verde e paixões desbocadas; quando um grupo de atores profissionais fizeram uma oficina com Tomaz Pandur em Madrid para trabalhar em Romeo e Julieta, Ana interpretou a protagonista. E é possível que a atriz não queira julgar as princesas, mas seu rosto encarna a doçura de heroínas românticas. É difícil contradizer seu próprio rosto.

A última prova

Em Madrid, na intimidade de um sofá, me conta que a morta repentina de seu maestro, o diretor esloveno Tomaz Pandur, aos 53 anos, foi golpe duro para ela: “Vou te contar algo que ninguém sabe. Que loucura. [começa a se emocionar], Me emocionou. Meu último teste para Blade Runner foi no dia em que Pandur morreu. Eu tinha a audição às 1 da tarde e uma hora antes me ligaram da Espanha para me dizerem que “Pandur morreu”. Eu passei a ficar muito triste e pensei: “Inferno, agora não poderia me concentrar”.

“Quando cheguei, estavam Ryan, Denis e a diretora do elenco. Nunca havia ficado tão nervosa para uma prova, e Denis [Villeneuve] disse: “Venha, vamos começar. Ação”. Mas eu disse: “Me dá um segundo?”. E fui para o canto. Cerrei os olhos e dediquei a audição a Pandur. A verdade é que ele e eu nos conhecíamos muito. Tivemos um amor de diretor e atriz maravilhoso. Ele me ensinou a não perder o frescor, a buscá-lo, o que é muito difícil. Porque, apesar de seus filmes serem ótimos, ele sempre queria que fizéssemos algo simples”. Graças a essa audição, conseguiu o papel. É a mesma cena que aparece no trailer, onde diz a K: “Sempre soube que você era especial”. Na audição, a atriz não sabia de nada sobre o passado de seu personagem e nem de sua identidade. Sempre foi apenas Joi.

Faz anos, desde que disse a Vanity Fair que sempre se apaixonava nos filmes. Eu pergunto se ela superou, e antes de responder ela ri. Ri muito. “Com o tempo, você entende que o que acontece no set não é real. Quando eu era jovenzinha, me apaixonava por todos, mas agora não tenho mais 16 anos. Agora eu sei que é um trabalho, que dura cerca de três a cinco meses no máximo e quando terminei, você volta para o seu mundo real é para os afetos de sempre. Agora posso viver com uma intensidade controlada, mas obviamente trabalhamos com emoção sem te deixar levar…”

Afinal, quem não amaria Ryan Gosling?, pergunto “Claro, quem não amaria Ryan Gosling? [Risos]. Ele é um presente de homem. No último Oscar, quando Emma Stone começou falar sobre Ryan durante seu discurso de agradecimento, eu não parava de pensar: “Concordo plenamente com você, Emma. Por que eu e você não nos reunimos para falar sobre Ryan?”. Ele é um cavaleiro, um homem de família e tem um senso de humor incrível. Durante os cinco meses de gravação, não importava a hora, nem se estávamos cansados, nem trabalhar seis dias ao invés de cinco. Não teve um único dia de gravação que nós não riamos juntos”. Ele cantava como em La la land? “Não, mas nós dançamos juntos”.

Fonte | Tradução – Yasmim

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postado por Ana de Armas Brasil

Elena Furiase, co-star de Ana na série “El Internado”, falou sobre o reencontro com a atriz semana passada. Leia:

Você esteve com Ana de Armas, e parece que as pessoas do instagram ficaram muito animadas com este reencontro.
Ana veio porque esta promovendo seu novo filme, passou dez dias aqui, na verdade, ainda está aqui e vamos nos encontrar antes dela voltar pra casa. Nós sempre mantivemos contato por whatsapp e Fernando Tielve também, que é um amigo próximo das duas. Somos boas amigas, passamos por muita coisa juntas e Ana, que depois de fazer seu sexto filme em Los Angeles, continua sendo a mesma de sempre e gosta de estar com seus amigos.

Fonte | Tradução – Equipe Ana de Armas Brasil