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“Muitas coisas em Cuba continuam escondidas e há muita censura”, Ana fala sobre sua carreira, vida pessoal e mais em entrevista à Yo Dona
postado por Ana de Armas Brasil

Traduzimos uma antiga entrevista para a revista Yo Dona, leia o bate-papo completo:

Tem uma beleza notável, indiscutível. Ana de Armas (La Habana, Cuba, 1988) é tão bonita que acaba sendo impossível não se sentir um pouco perturbado. Não só isso, Ana tem um olhar claro e decidido, de uma mulher que da a impressão de que sempre soube o que queria e está disposta a conseguir. A mesma energia que a fez se mudar aos 18 anos de sua terra natal, Cuba, para enfrentar uma desconhecida Madrid e triunfar, e que a levou dois anos atrás até Los Angeles, onde gravou a nova comédia do diretor do sucesso de bilheteria ‘Se Beber Não Case’.

Há cubanos e cubanos, e há cubanas como Ana, uma mulher séria e consciente que gosta de fazer as coisas bem e as coisas não funcionam bem para ela por sorte. Porque ela não é mulher de confusão, mas sim de estudo, trabalho e esforço, e sua história também é uma história com muito glamour, melhor dizendo, de uma imigrante valente que sabe que é ela que tem que se esforçar para triunfar e se adaptar. A sua estrela já era grande e que vai crescer mais quando estrear ‘Exposed’, um thriller com Keanu Reeves, e a sequência de ‘Blade Runner’, superprodução que se atreve a recriar o universo de um dos filmes mais emblemáticos da história do cinema, no qual ela compartilha a tela com Jared Leto, Ryan Gosling e até mesmo Harrison Ford.

Acompanha de Elvis, seu inseparável cachorro maltês, vai para a Espanha, o país que foi sua casa durante oito ano e no qual duas séries, ‘El internado’ e ‘Hispania’, e o filme ‘Mentiras y gordas’ (2009) a fizeram uma celebridade supersônica, em uma visita relâmpago para promover ‘War Dogs’, no qual Ana contracena com estrelas como Jonah Hill. Lembra que estava em um supermercado quando deram a notícia que havia sido escolhida, e se pôs a gritar de alegria. No filme, inspirado em uma história real, interpreta a namorada do protagonista, um jovem que, por causa de uma série de perigos incríveis, acaba vendendo armas às tropas do Iraque e enganando o governo dos Estados Unidos.

YD: Seu nome filme, ‘War Dogs’, trata um tema tão atual como o contrabando. Você acredita que os Estados Unidos vão superar seus problemas com a violência?
ADA: É um problema que se arrasta há muitos anos e segue igual. Tem que se falar sobre, mas muita gente não quer porque é um negócio. Esta é uma história real e o mais terrível é que passou e continua passando. O governo dos Estados Unidos tem gente vendendo armas no Iraque e acredito que é bom que a gente saiba. Muitas coisas são descobertas e ficamos horrorizados.

YD: A mulher que interpreta é ingênua ou prefere não saber de nada?
ADA: Quando está há três anos com uma pessoa, pense se não há confiança e me diga. Ela está apaixonada por ele, têm um projeto de vida em comum e está esperando um filho. O mais grave em uma relação é que tenha mentira, porque o essencial é essa confiança mútua. Não creio que seja uma ingênua, penso que ela representa a maturidade, a maternidade, o lar. É a mais sã de todo o filme.

YD: De qualquer maneira a impressão que ele traz é que se meteu em uma grande confusão e não sabe como sair.
ADA: É um homem que se encontra em uma situação desesperada. Seu negócio de lençóis não funciona. O de massagista é um horror. Vive de uma maneira muito humilde e é logico que se sente frustrado, o dinheiro é fundamental. Mas o relacionamento vai bem. Ela precisa dele e está apaixonada. Além disso, aos 22 você pensa que tem tudo sob controle, mas na realidade tem muito que aprender. Não o justifico, é um idiota, mas mesmo numa situação ruim tenta fazer o melhor possível.

YD: Como se consegue um papel numa superprodução como esta?
ADA: É um longo processo de ‘castings’ com muitas audições. Meu nível de inglês não era o mesmo que agora e eu imaginava que atrizes muito boas também estavam sendo considerada, assim era muito fácil se sentir insegura. Você se pergunta se está fazendo o que querem, mas segue em frente. Neste tipo de filme tem muita gente que opina sobre seu papel e creio que o que me fez consegui-lo foi que Todd (Phillips, o diretor) viu essa figura materna em mim.

YD: Sente muita pressão em Hollywood?
ADA: Não é meu país, não é meu idioma, não é minha cultura. Tem muita competência e todos os atores que estão trabalhando nesse nível tem um grande talento. Sente esse peso querendo ou não. Me lembro que, quando me chamaram para dar o papel, estava em um supermercado com uma amiga e comecei a gritar e as pessoas ao meu redor me parabenizaram. Foi muito emocionante, porque era meu primeiro filme de estúdio. Senti que de verdade estava dando um passo, já que os filmes anteriores (‘Hands of Stone’ e ‘Knock Knock’) haviam sido independentes.

YD: Está na crista da onda. Como conseguiu?
ADA: Foi um processo gradual, pois comecei desde cedo, quando ninguém me conhecia. Pouco a pouco tem que se deixar ver: em oficinas, em reuniões e até mesmo bares. É muito difícil que diretores tão famosos como Todd Phillips se lembrem de você. No lugar onde filmamos, na Warner, cada estúdio tem uma placa onde se coloca os filmes que fizeram ali. Gravamos no mesmo estúdio que ‘Casablanca’ e isso tem uma força espetacular. Você se sente parte de uma história muito grande.

YD: Por que foi para Los Angeles?
ADA: Sempre tive a inquietude de fazer mais coisas e fico dois anos e me mudo. Não é que eu me canse, mas sentia que na Espanha os papeis que chegavam para mim não eram interessantes e que estavam fazendo muito poucos filmes. Jamais havia pensado nos Estados Unidos. Sou uma dessas poucas cubanas sem familiares no país e surgiu porque uma agência de representação muito potente se propôs a trabalhar comigo. Eu exijo das pessoas a minha volta e gosto também de exigir de mim. Se eles confiavam em mim, minha primeira obrigação era trabalhar em mim, melhorando o inglês.

YD: Como foi o choque com a cidade?
ADA: Cada vez me sinto mais integrada mesmo que no começo tenha sido muito difícil. Em Nova York vivi cinco meses em seguida fiz amigos, mas na Califórnia é muito mais complicado. As culturas tem que se dar tempo para se conhecer, enriquecer e se misturas. Você não pode chegar a um lugar e esperar que tudo funcione para você de repente. As cidades crescem em você à medida que vai vivendo elas e é você que tem que fazer o primeiro esforço para se adaptar.

YD: Os americanos são muito diferentes?
ADA: Muito. Os espanhóis tem essa coisa muito bruta, espontânea e fresca com a qual eu me identifico mais. Eles são muito perfeccionistas e mais quadrados, mesmo que quando ficam loucos, ficam loucos. Pouco a pouco vou entendendo suas reações, compreendo porque tem esse jeito ou postura, é uma questão cultural que tem a ver com sua história.

YD: O que foi mais difícil?
ADA: Há momentos complicados, mas nunca deve esquecer que, em primeiro lugar, ir foi sua decisão. Há atores que seguem falando inglês com muito sotaque e dizem se os querem bem, e se não, também. Eu não desejo colocar limites em mim mesma porque se não fala como uma americana talvez tenha sorte e há um personagem que se encaixa em você, mas assim vai perder muitas oportunidades. Foi questão de ir à escola, trabalhar com meu coach e aprender e aprender. Quando me diziam que faltava algo nos castings não ficava mal, mas sim como um estímulo para me motivar mais.

YD: Sente falta de Madrid?
ADA: Sim, muita. Sinto falta de Fer, Niko, Nydia, Elena…, tento manter contato todo tempo, para mim é muito importante.

YD: Como lida com a distância de seus pais?
ADA: É o mais difícil. Falamos todos os dias sendo por e-mail, Skype ou mensagens. O que mais me mantém centrada em Los Angeles, porque é uma cidade que torna fácil esquecer-se das coisas que são importantes de verdade na vida. Não vou a Cuba tanto como gostaria, mas esse contato emocional é fundamental.

YD: Cuba melhorou depois da visita de Obama?
ADA: É muito triste o que está acontecendo e estou muito preocupada. Não há trabalho, não há comida, não há dinheiro, não há sequer eletricidade. E segue havendo muitas coisas escondidas e há muita censura. Quando observa essas aberturas e essas mudanças vê que não estão levando na direção adequada para ajudar as pessoas.

YD: Alguém está no seu coração?
ADA: Só te direi que estou muito, muito feliz.

Fonte | Tradução – Larissa F.