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‘Knives Out’ autentica Ana de Armas como uma estrela, bem na hora de 007 e Marilyn Monroe.

Três dias desde que começou filmagem para seu próximo filme em Nova Orleans, Ana de Armas estava em outro voo de volta a Los Angeles. É a típica montanha russa de sua carreira desde o último ano, ela se encontra de volta à cidade para a premiere de “Knives Out”, o mistério de assassinato com um elenco com estrelas concretizadas – e ela rouba a cena mesmo com um super elenco liderado por Daniel Craig, seu colega no próximo 007, “No Time to Die”.

O ritmo de ascensão da carreira de De Armas tem sido imparável; depois da estreia de “Knives Out” em 27 de novembro, ela tem pelo menos cinco filmes para estrear em 2020, incluindo o aventuroso 007 e uma biopic de Marilyn Monroe na Netflix. Então enquanto De Armas toma um café e o vento bate pelo balcão ensolarado em Beverly Hills, ela tomou um momento para recuperar a respiração e considerar o que seria trabalhar tanto sem parar.

“Eu não estou reclamando, porque demorou muito tempo para eu chegar aqui, e eu estou vivendo o meu sonho,” disse De Armas, vestindo uma delicada corrente dourada com um blazer preto. No andar abaixo, uma estátua de Monroe recebe os visitantes, a saia de seu icônico vestido branco preso em um vento imaginário.

“Isso é exatamente o que eu quero ser e o que quero fazer — mas Deus, eu estou cansada. Eu sinto que repito muito isso… mas eu estou cansada.” De Armas sorria ao pensar em descansar mesmo por um momento depois de tudo que ela fez pra chegar a esse ponto em sua vida, no mundo, em sua carreira. “Eu acho que 2020 vai ser o ano pra eu dormir um pouco mais.”

Dormir pode esperar; para De Armas, a hora é agora. Ela já roubou corações como uma I.A chamada Joi em “Blade Runner 2049” , mas a atriz cubana que se tornou uma estrela-espanhola está preparada para sua real quebra no estrelato com “Knives Out,” escrita e dirigida pelo diretor de “Star Wars: The Last Jedi” a mente brilhante de Rian Johnson.

Em adição de Craig, a fila de talentos inclui Jamie Lee Curtis, Chris Evans, Christopher Plummer, Toni Collette, Michael Shannon, Don Johnson e Lakeith Stanfield.

Porém quando os créditos de “Knives Out” rolam você fica se perguntando: Quem é ela?

De Armas, 31, interpreta Marta, a cuidadora do lendário autor de mistério Harlan Thrombey (Plummer), o qual a família é muito ocupada contando os zeros de suas contas bancárias para reconhecer seus próprios privilégios. Depois da morte repentina e terrível de Harlan, Marta mergulha num tanque de tubarões dos familiares famintos por herança, enquanto dois detetives locais e o investigador particular chamado Benoit Blanc (Craig) investigam por ai, suspeitando de assassinato.

É um papel marco de carreira que dá a De Armas o maior holofote dos Estados Unidos até o momento.

Vindo da pequena cidade litorânea de Santa Cruz do Norte fora de Havana, De Armas foi picada pelo inseto da atuação quando criança. Ela se mudou para Espanha com 18 e rapidamente virou uma estrela de TV. Três anos atrás, ela deu seu segundo salto de fé quando se mudou para Los Angeles, focando em se infiltrar em Hollywood.

Não foi a transição mais fácil na história de showbiz. Quando chegou em LA, De Armas tinha experiência e cachê internacional, mas ela não falava Inglês. Isso não a parou de ter reuniões, incluindo uma com a produtora de 007 Barbara Broccoli (a recompensa chegou anos depois quando o diretor Cary Fukunaga estava elencando um novo tipo de Bond Girl para “No Time To Die”).

Longe de casa e nova em Hollywood, De Armas mergulhou em meses de intenso estudo da língua. Ela conseguiu uma sucessão de papéis com personagens que falavam inglês: Em “Knock Knock” de Eli Roth com Keanu Reeves, o drama “Hands of Stone” com Édgar Ramirez e Robert De Niro e “War Dogs” com Miles Teller. Mas foi a comovente humanidade que ela deu à I.A. em “Blade Runner 2049” que colocou De Armas no radar de muitos cineastas — incluindo Johnson.

O diretor de “Brick” e “Looper” estava seguindo seu próprio salto na franquia “Star Wars” com uma comédia íntima de crime com um “quê” social e político. Agora que “Knives Out” estava sendo feito — e rapidamente, graças à uma abertura no planejamento ético de Craig para Bond — ele precisava na âncora emocional certa para segurar tudo junto.

De Armas estava na Tailândia terminando de gravar a biopic “Sergio” da Netflix, sobre o diplomata Sergio Vieira de Mello, quando recebeu a ligação para colocá-la em fita para o papel. O nome não dizia muito, e francamente, não a impressionou — “Enfermeira. Latina. Bonita,” ela lembra — mas ela insistiu em ler o script, como sempre faz, não importa o tamanho do filme.

Quando ela leu, ela ficou surpresa ao descobrir que Marta não apenas tinha muitas camadas como também era o centro da história. A personagem de classe trabalhadora, especificamente escrita como Latina, se segura contra um clã de falsos amigos de classe alta. Ela não é apenas uma janela periférica ou um esteriótipo ou dispensável.

“Normalmente, quando você é Latina, o que é destacado não é necessariamente as qualidades mais positivas,” De Armas disse. “Esses personagens, eles não existem.”

Johnson queria conhecer ela para ver se ela era a atriz certa para carregar o coração do suspense investigativo, então De Armas voou para Boston para ler pro papel. Ela foi elencada e teve cinco dias para parar em casa em L.A. para pegar seu cachorro, Elvis, antes de começar a gravar.

Johnson viu em De Armas uma qualidade semelhante a Audrey Hepburn. “Você imediatamente está do lado dela quando ela está na câmera,” ele disse. “Isso, combinado com a sua força própria e o fato que eu sabia que ela interpretaria Marta como uma lutadora era muito importante, considerando que ela é uma pessoa de bom coração no centro disso tudo. A primeira coisa que ela disse para mim foi, ‘Essa garota tem que lutar.’ E aquilo realmente me fez pensar, ‘Ana consegue fazer isso.'”

A vertiginosa época foi um problema, mas o calibre de seus colegas de elenco foi ainda mais desafiador. De Armas disse. Uma cena crucial que acerta o ritmo do filme e planta informações essenciais levou três dias para filmar — apenas ela e o ganhador do Oscar Plummer, trazendo o mais importante momento no filme a vida em um pequeno estúdio cheio de livros.

Ela recentemente redescobriu um diário que ela mantinha com ela na época de início de gravações, no outono. “Dizia, ‘Eu estou a poucos dias de começar esse filme e eu não me sinto preparada,'” De Armas se lembra. “Eu não tinha ideia do quê que a Marta seria; apenas aconteceu. Eu senti medo. Eu senti que ela foi jogada nessa situação e tinha que lidar com isso e navegar da melhor maneira que ela pudesse. Então eu pensei, ‘Talvez o que estou sentido seja exatamente o que eu deveria estar sentindo.'”

Pela segunda semana de gravações, ela tinha entendido Marta completamente. “Esse papel me deu tantas coisas pra fazer,” ela disse. “Eu estava tão nervosa sobre o tom. Eu estava nervosa sobre a comédia. Eu nunca pensei que eu era engraçada.” Ela parou e riu, como se realmente ela nunca tivesse pensado nisso antes de “Knives Out,” onde Marta despista um grupo heterogêneo de familiares furiosos e passivo-agressivos quase beirando a odiáveis. “Eu acho que sou engraçada!”

“Ela pode fazer tudo, e já era hora das pessoas sentarem e reconhecerem isso” — Daniel Craig

Craig, que se descreve como o “ator menos cômico que você vai poder conhecer,” dá De Armas ainda mais crédito depois de trabalhar dois filmes com ela um atrás do outro.

“Ela apenas é uma atriz muito boa — não há mais o que dizer,” disse Craig, a quem o observador Blanc recruta a sobrecarregada Marta para ajudar em sua investigação mesmo a mantendo na lista de suspeitos em “Knives Out.” (A natureza do relacionamento de Bond com Palome de De Armas em “No Time to Die” continua em segredo, mas você pode esperar uma dinâmica muito diferente no suspense espião.)

“Ela tem a espinha. Ela pode fazer tudo. E era hora das pessoas se sentarem e perceberem,” ele disse, “A performance que ela dá é simplesmente memorável, e no meio de todo o caos das cenas e de tudo que está acontecendo no filme, ela tem essa consistência — e ela é muito engraçada por causa disso. Mas ela é o coração e alma do filme, e isso é uma conquista real. As cenas com ela e Christopher Plummer são de partir o coração. Eles são lindos. E ter isso durante o filme é apenas um testamento de suas habilidades como atriz.”

Embaixo da pompa e suspensórios, Craig já estava treinando e se preparando para Bond quando “Knives Out” estava em gravação. Mas De Armas não tinha ideia de que se juntaria a ele até mais tarde, quando ela recebeu uma ligação surpresa de Fukunaga, quem ela conheceu anteriormente num projeto que nunca se materializou.

“Ele disse, ‘Parte do filme toma lugar em Cuba. Esse papel não existe, mas eu estou pensando em escrever algo para você. Você quer fazer?'” ela disse. Além de ser oferecida um papel feito à mão para Bond, a criadora vencedora do Emmy por “Fleabag” Phoebe Waller-Bridge ia escrever seus diálogos, o que a levou aos céus de animada. “Eu estava tipo, ‘Aaaaaah! Mas é claro.’ E então eu estava tipo, ‘Espera — Eu gostaria de ler primeiro.'”

Eles mandaram pra ela as cenas e ela se rendeu. As Bond Girl dos anos passados numa pareceram identificáveis para ela, disse De Armas. Paloma, porém, pareceu real.

“Eu não diria que ela é normal, porque quando ela precisa fazer seu trabalho, ela o faz,” ela disse. “Mas [ela] tem defeitos. Ela diz o que sente, ela é nervosa, ela tem medo. É humano. Quando eu li, eu estava tipo, ‘Oh espere — Eu posso ser uma Bond Girl. Eu sou isso. Eu sou uma bagunça.’ Por isso pareceu tão atrativo, além do que ela faz na história, que é outro passo para dar às mulheres lugares mais poderosos e fortes em filmes.”

Johnson, por sua vez, não pode esperar para ver suas duas estrelas de “Knives Out” juntos de novo no filme de Bond em abril. “Eu vou ficar emocionado,” ele disse. “Eu vou ser aquela pessoa na plateia na noite de estreia gritando, ‘Marta, acaba com ele!'”

De Armas tem muitos projetos para lançar em 2020, os quais ela já pede desculpa. “Me desculpe, vocês vão ficar entediados comigo!” ela brinca. Eles incluem “Sergio”, “Wasp Network”, que ela gravou com o diretor Olivier Assayas em sua terra natal Cuba, e atualmente está filmando “Deep Water”, que marca como o primeiro filme do cineasta “atração fatal” Adrian Lyne em 18 anos e a coloca ao lado de Ben Affleck como um casal que se envolve num perigoso jogo, adaptado do romance de Patricia Highsmith.

Ela admite que algumas vezes ela carrega suas personagens com ela depois de filmar, e dado a velocidade que os papéis tem caído em suas graças só no ano passado, tem um que ela não teve tempo nem espaço de largar ainda. Todo lugar que De Armas vai em LA, ela sente Marilyn.

O plano original era para treinar e filmar Bond, então voltar para LA. para deixar sua mente e corpo relaxar para interpretar Marilyn Monroe no drama de Andrew Dominik para a Netflix “Blonde”, adaptando o romance histórico de Joyce Carol Oates. Mas depois que as gravações do blockbuster espião foram adiadas devido a Craig ter sofrido uma lesão, De Armas mergulhou em “Blonde” primeiro, interpretando o ícone hollywoodiano num shoot de intensos três meses.

“Foi meio louco, por causa que a corporalidade das duas personagens são tão diferentes – e suas crenças,” ela disse. “Eu nunca fui tão intensa num trabalho e pesquisa e preparação como fiz com Marilyn. Eu nunca fiz — ou irei fazer — nada parecido de novo.”

Depois de terminar “Blonde” às 2 da manhã numa sexta, ela estava de volta a Londres no set de “No Time to Die” na outra segunda. “Então eu vou ser uma Bond Girl com um corpo de Marilyn Monroe,” ela ri.

Ela pensou na estátua de Marilyn no andar a baixo, congelada no tempo, como muitos gostariam de lembrar do ícone. Ela pensou nela mesma em seus primeiros anos em Hollywood. Depois de aprender Inglês, a parte mais difícil chegou quando a toxicidade persistente da indústria e obsessões com imagem chegaram, colocando sementes de insegurança quando ela ia atrás de papéis, antes de bons amigos a lembrarem de ser confiante de si mesma.

Crescendo em Cuba sem videogames ou fitas VHS ou bonecas Barbie, ela se lembra de brincar na rua com os filhos dos vizinhos e usar sua imaginação. Quando ela conseguia assistir a filmes e TV, não era com as estrelas de filmes americanos que a inspiraram.

“Os atores que eu admirava e que me fizeram querer ser atriz eram cubanos, porque aquelas eram as pessoas que estavam contando a minha história,” ela disse, nomeando alguns: Daisy Granados, Luis Alberto García, Isabel Santos. “Eu nunca pensei que eu seria Marilyn Monroe, ou uma Bond Girl, ou qualquer uma dessas oportunidades que me foram oferecidas. Ou — na verdade não oferecidas,” ela corrigiu. “Eu as conquistei.”

Logo, ela volta a Nova Orleans para continuar as filmagens de “Deep Water”, o qual personagens são “tão distantes do que eu consideraria racional ou aceitável num relacionamento.” Então, ela decide, ela irá terminar com LA Por agora.

Seus planos são de dividir tempo em Havana, próximo a sua família, e dar uma chance a Nova Iorque. “Por um tempinho — só pra tentar,” ela sorri. “Eu não sei por quanto tempo, mas eu sinto que está na hora de ir para lá.”

E se no futuro ela não encontrar projetos interessantes com diretores interessantes para a manter ocupada e seu espírito alimentado, ela planeja os escrevê-los ela mesma. “Eu acho que irei precisar de umas aulas de roteirização primeiro,” ela disse, “mas eu tenho sim ideias.”

Fonte | Tradução – Equipe Ana de Armas Brasil

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