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Entrevista ao site La Vanguardia
postado por Ana de Armas Brasil

Leia a entrevista de Ana para o site espanhol La Vanguardia:

Que relação tem com o Blade Runner original?
Vi o filme quando era criança, eu tinha nove ou dez anos. Ainda vivia em Cuba e não entendia nada. Já maior de idade vi novamente. Quando soube que faria parte da continuação de um filme tão icônico, não conseguia acreditar. Estava muito entusiasmada, mas tudo acabou sendo bem inesperado, porque não sabia o caminho nem qual era o personagem. Mantiveram um segredo absoluto desde o início, assim o maior atrativo para mim eram as pessoas com quem ia trabalhar e ser parte da história do cinema. Muitos diretores e produtores notaram meu sotaque, mas para Denis era uma qualidade que trazia algo especial ao papel.

Alguma vez imaginou que trabalharia com Harrison Ford?
Claro que não. Em Cuba cresce pensando que o tem é tudo o que precisa e deve estar satisfeito com isso. Mas eu sempre fui muito curiosa e por que não dizer? ambiciosa, e me questionava o que mais podia fazer. E logo me perguntava que artistas iria conhecer e com quem teria a oportunidade de trabalhar. Mas nunca sonhei com Harrison Ford porque me parecia totalmente impossível.

Como foi a experiência de trabalhar com ele?
Ele soube sobre mim quando foi visitar Ryan Gosling, que fazia uma cena em que havia um cartaz gigantesco de Joi nua. Mas quando o conheci pessoalmente eu estava vestida. E foi algo muito normal. É um ator incrível, que presenciei em filmes desde que era pequena e foi bastante surreal. Em momentos me sentia um pouco intimidada porque temos essa ideia de que não podemos nos aproximar de nossos ídolos, mas Harrison foi muito amável comigo, muito cálido e divertido. Tem um senso de humor muito especial e não para de fazer piadas.

Foi muito complicado conseguir o papel?
Foi um processo de três partes. Levou uma semana, mas eu a vivi como se fosse um mês. A primeira audição não foi com o roteiro do filme, tive que ler uma cena de Ex machina, o que foi bem confuso porque não sabia nada do papel e Joi é muito diferente de Ava em Ex machina. Por sorte a diretora de casting, Francine Maisler, me explicou algumas coisas e creio que me saí bem. Na segunda audição fiz duas cenas do filme, mas segui sem ter nenhuma informação sobre quem era ela ou que relação teria com Ryan. Não senti que questionaram minha capacidade de atuar, vi em Denis um diretor que utiliza um processo muito criativo para encontrar a pessoa correta para fazer o papel.

Foi difícil trabalhar com Villeneuve?
Denis é um diretor muito grato. Nunca aconteceu de aí terminar uma filmagem o diretor vir me dizer: “muito obrigado por tudo o que fez”. Vindo dele foi um grande cumprimento. E aconteceu algo parecido na audição, quando ninguém sabia se iam me dar o papel ou não. Por isso mesmo sem essa resposta fui para casa sentindo que já havia trabalhado com Denis.

O que acredita que te ajudou a conseguir o papel?
Acredito que ele procurava uma mulher real. Pela forma que vejo as coisas, pelas experiências que tive na vida, tenho um olhar muito diferente e sou muito mais discada e aberta às emoções. Joi foi desenhada para satisfazer as pessoas de uma maneira muito concreta mas essas não são as necessidades que K tem. Ele a usa de um modo muito diferente, em um sentido emocional. Ela tinha que ser a namorada que um homem quer encontrar quando volta para casa, que te espera no sofá, que sabe como conversar, sabe o que pensa antes que diga e que sabe o que sente.

Foi feito algum pedido especial?
Na terceira audição Denis pediu para ficar sozinho comigo. Fechou a porta e me disse que havia duas coisas que precisava me dizer antes de avançar o processo. Me explicou que havia cenas em que teria que ficar nua, que devia estar disposta a tirar a roupa. E logo me disse também que ia precisar que cortasse o cabelo, que escurecesse e fizesse uma franja. Sempre tivemos uma relação muito íntima, na qual não houve dramas nem problemas. Eu disse para ele que se me contratasse ia ser a última pessoa com quem teria que se preocupar.

Notou alguma mudança da indústria com você depois desse último filme?
Não, eles têm que assisti-lo. As pessoas têm muita curiosidade por Blade Runner 2049 e às vezes sinto que é como se só tivesse feito isso e minha carreira na Espanha e em Cuba não tiveram muita visibilidade aqui. Desde que me mudei para Los Angeles há três anos e meio sinto que tive que começar do zero e me apresentar aos produtores e diretores como se jamais tivesse atuado.

Quando foi a última vez que esteve em Cuba?
Mês passado. Vou quando posso. Há anos em que só pisos ir uma vez porque estou trabalhando. Esse ano já fui quatro vezes. Em alguns âmbitos Cuba mudou muito, em outros, nada. Mas há coisas acontecendo, particularmente com a juventude e quero ser parte disso. Estou perdendo muitas coisas da minha família e de meus amigos e não quero que continue passando. Gostaria de voltar e viver ali.

Se foi antes de que fossem restabelecidas as relações diplomáticas com os EUA. O que mudou com essa abertura?
Não muito. Creio que esta ideia de que houve uma abertura não é muito apropriada porque não é certa. Voos direitos entre Cuba e os Estados Unidos não significam que as coisas mudaram. Para os cubanos tudo segue igual, particularmente para a claras reanalisada. O governo é o mesmo. As pessoas seguem sem ter informação e sem acesso à internet, para não saberem o que se passa no mundo. Mas é certo que quando me fui com 18 anos, lá se sabia muito pouco sobre o resto do mundo e agora há lugares onde os jovens conectam-se à internet, sabem o que é Instagram e podem ler notícias e ver revistas. O resto segue igual a quando eu estava ali.

Como conseguiu ir pra Espanha?
Meus avós maternos eram espanhóis e eu tinha o passaporte. Quando cresci, não tínhamos nenhum parente ou amigo em Miami. Espanha era minha única opção e para ali fui com 18 anos. Era a única maneira se sair de Cuba. Por sorte tudo saiu muito bem para mim e não parei de trabalhar nos 8 anos que passei na Espanha. Mas acabei indo embora pela mesma razão que sai de Cuba. Queria algo mais. Me interessava estar em um lugar onde teria mais oportunidades. Espanha estava em plena crise e os filmes que estavam sendo feitos ali mão me motivavam. Por isso fui para Hollywood.

Quais filmes e séries de televisão a inspiraram na decisão de ser atriz?
Para ser sincera, em nenhum momento disse de forma consciente que queria ser atriz e também não havia uma atriz que queria imitar. Mas me interessava o meio. Se estava vendo um filme na televisão e via uma cena que gostava, não me importava que fosse homem ou mulher, corria até o espelho e imitava. E logo voltava só sofá para continuar vendo o filme. Eu venho de uma família muito humilde. Não tínhamos aparelho de vídeo ou de DVD, mas um vizinho tinha. Uma vez estava vendo um filme, creio que era Matilda, e quando voltei para casa repeti todo o filme para meu irmão que não havia visto. Sempre estava imitando as cenas mais emotivas dos filmes que gostava.

Fonte | Tradução – Larisssa F.

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